São Paulo Seis em cada dez brasileiros viram mulher sofrer violência em 2018

Seis em cada dez brasileiros viram mulher sofrer violência em 2018

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha aponta que a maior parte presenciou assédios e abordagens desrespeitosas na rua

Pesquisa mostra dados de violência contra mulher

Pesquisa mostra dados de violência contra mulher

Pixabay

Pesquisa do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) e do Instituto Datafolha aponta que, no ano passado, 59,1% das pessoas presenciaram algum tipo de violência sofrido por mulheres. A maior parte (42,6%) foram assédios, cantadas ou outros tipos de abordagens desrespeitosas na rua, feitas por desconhecidos.

De acordo com o fórum a segunda edição da pesquisa “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil” indica uma diminuição no número de brasileiros que afirmam que viram abordagem violenta contra as mulheres: a edição anterior, de fevereiro de 2017, 66% dos entrevistados disseram ter presenciado.

Veja mais: Pesquisa revela que 536 mulheres foram agredidas por hora em 2018

A pesquisa sobre o ano passado também aponta que 36,5% das pessoas viram homens xingando, humilhando ou ameaçando mulheres com quem se relacionaram amorosamente. O levantamento ainda mostra que 28,7% das pessoas viram vizinhas sendo ameaçadas por namorado, ex-namorado, marido, ex-marido, companheiro ou ex-companheiro, e 27,7% viram sendo agredidas. 

A pedagoga Karina Rufina, 23 anos, afirma que já presenciou diversas situações de violências sofridas por mulheres, sobretudo em sua vizinhança, na região de Osasco (Grande São Paulo). Segundo ela, a sensação é de “total impotência e dor, porque eu não faço ideia do que posso fazer”.

Segundo Karina, um dos casos mais marcantes que presenciou foi a agressão de um rapaz dependente químico contra sua companheira, uma adolescente que está grávida. “Eles brigam praticamente todo final de semana com muita violência verbal”, diz a pedagoga.

Leia também: Violência doméstica expõe filhos de vítimas a fogo, surra e abuso sexual

Karina diz que, apesar das violências que sofre, a adolescente acaba sempre pedindo para voltar com o rapaz. Por isso, a pedagoga afirma que "todos julgam como se ela estivesse nessa posição porque quer, mas acredito que ninguém chega a esse ponto por escolha”.

Outra situação que a Karina diz que presenciou a adolescente passando foi violência por parte de familiar. “Os homens da família dela vão buscá-la à força e com violência também, porque o tio segura os braços e os irmãos as pernas e para levar embora”.

O levantamento mostra que 20,3% dos entrevistados dizem que já viram meninas, moças ou mulheres que residem na vizinhança sendo agredidas por parentes como pai, irmão, tio, cunhado, padrasto, entre outros.

O FBSP perguntou ainda se as pessoas viram, no ano passado, homens brigando, ameaçando, discutindo, ou se agredindo por causa de ciúmes de uma namorada, mulher, companheira ou ex: 37% responderam que viram.

A pesquisa foi realizada nos dias 4 e 5 de fevereiro, em 130 municípios de pequeno, grande e médio porte de todas regiões do Brasil. No total, 2.084 pessoas foram entrevistadas.

Últimas