São Paulo Sequestradores são presos após se passarem por motoristas de aplicativo em São Paulo

Sequestradores são presos após se passarem por motoristas de aplicativo em São Paulo

Grupo atuava em bairros nobres da capital e tinham como alvo mulheres que ingressavam sozinhas no veículo e extorqui-las

  • São Paulo | Isabelle Gandolphi, da Agência Record

Giovanna Pacheco Dantas, de 19 anos, relatou que foi abordada pelos criminosos

Giovanna Pacheco Dantas, de 19 anos, relatou que foi abordada pelos criminosos

Reprodução

Um grupo de suspeitos foram presos após se passarem por motoristas de aplicativo para sequestrarem e extorquirem passageiras em áreas nobres de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (13).

Uma investigação do CERCO (Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado) da 4ª Delegacia Seccional de Polícia levou as equipes até a quadrilha. Três foram presos e um fugiu.

O grupo, que atuava principalmente em bairros nobres da capital, utilizava aplicativos de corrida para sequestrar mulheres que ingressavam sozinhas no veículo e extorqui-las.

Algumas delas chegaram a ser levadas a cativeiros, em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, onde eram mantidas por cerca de 10 horas. Por volta das 14h30 de segunda-feira, os suspeitos foram localizados na região do Jardins, zona oeste de São Paulo.

Vítimas

Uma vítima entrou em um Volkswagen Voyage branco, enquanto um Hyundai HB20 branco dava cobertura ao primeiro carro, ambos identificados pela investigação. Após alguns minutos do percurso, ela foi rendida por dois homens que desembarcaram do HB20 e ingressaram no Voyage. A vítima foi obrigada a ficar com o rosto coberto.

A polícia acompanhou os veículos e os abordaram pela avenida Marechal Tito, já na zona leste de São Paulo. O condutor do HB20 se entregou tranquilamente, assim como os ocupantes do Voyage. Já o motorista do segundo carro resistiu à prisão. Ele estava armado e tentou atropelar os agentes. No fim, ele abandonou o automóvel e conseguiu fugir a pé.

De acordo com a polícia, o motorista utilizava seu próprio perfil na plataforma do aplicativo. Entretanto, ele também usava perfis em nomes de terceiros, que serão investigados.

Uma das vítimas, identificada como Giovanna Pacheco Dantas, de 19 anos, relatou que foi abordada pelos criminosos no dia 2 de março. Ela contou que é da Bahia e estava ficando na casa de um amigo no bairro Vila Guilherme, zona norte de São Paulo.

Por volta das 04h20 daquele dia chamou um Uber para ir à uma festa. Cerca de 10 minutos após entrar no carro, dois homens também ingressaram.

Eles colocaram um pano preto no rosto dela, pediram as senhas do celular e dos aplicativos do banco e ainda mexeram em seus arquivos, como fotos e vídeos. Giovanna afirmou que eles ainda disseram que "seria uma pena se ela morresse, porque ela é muito bonitinha".

A quadrilha passou a mandar mensagens para outros influenciadores, amigos dela, e também para a sua avó, que está doente.

Eles conseguiram roubar R$10 mil de suas contas bancárias e ainda ficaram com seu celular. Por volta do meio dia, eles a deixaram na estação Engenheiro Manoel Feio, da Linha 12-Safira da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em Itaquaquecetuba.

Em seguida, eles pediram um Uber para que ela fosse embora, porém, ao entrar no veículo, a jovem teve uma crise de ansiedade e passou mal. O motorista, então, a deixou em um posto de combustíveis, onde foi ajudada por uma mulher.

Os suspeitos, após o sequestro, criaram contas falsas no Instagram e no Whatsapp com a foto de Giovanna, além de ameçarem a jovem para que ela não ela procurasse a polícia.

Com medo, ela precisou mudar de endereço. Giovanna conseguiu o reembolso do dinheiro pelo banco, mas ficou traumatizada e com medo. Ela compareceu à 4ª Delegacia Seccional, onde reconheceu a quadrilha.

Posicionamento das empresas de aplicativo

A inDriver Brasil, por meio de nota, lamentou profundamente o ocorrido e informou que, assim que tomou conhecimento dos fatos, bloqueou permanentemente os envolvidos que tinham registro em nossa plataforma. Desde o início das investigações, a empresa vem prestando suporte direto às operações policiais, cooperação que foi bem-sucedida. "Em nossos valores, não há lugar para violência". 

Em nota, a Uber lamentou que mulheres que buscavam apenas se deslocar tenham sido alvo de atos criminosos perpetrados por indivíduos mal intencionados e informou que a empresa tem  uma equipe especializada, formada por ex-policiais, que está sempre à disposição das autoridades e colaborou com a Polícia na investigação em questão. Leia a nota na íntegra:

"Em nota, a Uber lamentou que mulheres que buscavam apenas se deslocar tenham sido alvo de atos criminosos perpetrados por indivíduos mal intencionados e informou que a empresa tem  uma equipe especializada, formada por ex-policiais, que está sempre à disposição das autoridades e colaborou com a Polícia na investigação em questão, além de possuir um canal para solicitação de dados no caso de investigações ou processos de persecução criminal disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana para processar as demandas. Isso permite que informações importantes sejam repassadas às autoridades com segurança e rapidez, sempre respeitando as leis de privacidade exigidas no País, em especial o Marco Civil da Internet.

A Uber defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro.  Por isso, desde 2018 a empresa mantém o compromisso de participar ativamente do enfrentamento da violência contra a mulher e possui diversos projetos voltados para isso. Mais recentemente, anunciamos, em parceria com o MeToo, um canal de suporte psicológico para apoiar vítimas de violência de gênero na plataforma.

Segurança é prioridade para a Uber e a empresa está sempre buscando, por meio da tecnologia, fazer da sua plataforma a mais segura possível, de uma forma escalável, com recursos como por exemplo o de compartilhar a viagem, que permite a pessoas de confiança do usuário seguirem a rota realizada em tempo real. Além disso, hoje uma viagem pelo aplicativo já inclui diversas  outras ferramentas de segurança antes, durante e depois de cada viagem, tanto para os usuários quanto para os motoristas parceiros.

Todos os parceiros cadastrados na Uber passam por uma checagem de apontamentos criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos para cadastramento na plataforma, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o país, em tempo real, em busca de apontamentos de crimes que possam ter sido cometidos. A Uber também realiza rechecagens periódicas dos apontamentos dos motoristas parceiros já ativos na plataforma.

A Uber possui um contrato com o Serpro, empresa de TI do Governo Federal, para confirmar as informações cadastrais dos motoristas parceiros e candidatos a motoristas e de seus veículos, em tempo real, a partir das informações da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV), com a autorização do Denatran - Departamento Nacional de Trânsito. As fotos dos motoristas também são verificadas digitalmente, com um software especialmente desenvolvido para isso, denominado Datavalid, que compara as imagens fornecidas pelo condutor com as arquivadas pela autoridade de trânsito, a fim de prevenir fraudes.

Além disso, a Uber utiliza uma ferramenta de "verificação de identidade em tempo real". De tempos em tempos, o aplicativo pede, aleatoriamente, para que os motoristas parceiros tirem uma selfie antes de aceitar uma viagem ou de ficar on-line, para ajudar a verificar se a pessoa que está usando o aplicativo corresponde àquela da conta que temos no arquivo. Isso ajuda a prevenir fraudes e protege as contas dos condutores de serem comprometidas.

De toda forma, sabemos que os esquemas de fraude estão em constante evolução e é por isso que a Uber está comprometida em atualizar e fortalecer seus processos internos para se proteger deles. Nossas equipes de detecção de fraudes usam análises manuais e sistemas automatizados de aprendizado que analisam mais de 600 tipos de sinais diferentes à procura de comportamento fraudulento. Estamos constantemente implementando novos processos e tecnologias para evitar fraudes e aprimoramos o treinamento dos nossos agentes, enquanto seguimos trabalhando para ficar à frente dos golpes mais recentes."

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