São Paulo SP: sobrevivente perde mãe e marido na tragédia de Taguaí

SP: sobrevivente perde mãe e marido na tragédia de Taguaí

Cinco pessoas da mesma família trabalhavam na indústria têxtil e seguiam juntas de ônibus ao local. Irmã e primo de Sônia Lobo ainda estão internados

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Uma das sobreviventes do acidente que matou 41 pessoas na cidade de Taguaí na quarta-feira (25) perdeu a mãe e o marido na tragédia.

Acidente em Taguaí

Acidente em Taguaí

Reprodução/Record TV

Sônia Lobo é uma dos cinco integrantes da família que trabalhavam na mesma indústria têxtil e seguiam juntos, de ônibus, para o local. No caminho, um veículo se chocou de frente com um caminhão. A irmã e o primo de Sônia estão internados.

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"Eu estava dormindo, não vi. Acordei com aquilo tudo já acontecido”, conta Sônia. "Olhei pra trás e estava tudo sem banco, aquele fundo do ônibus todo aberto".

O marido de Sônia, Roni, foi quem a protegeu antes da batida. "Acho que ele se jogou do meu lado para não me atingir, aí, pegou a cabeça. Salvou a minha vida, mas não era pra nada disso ter acontecido se não fosse a ultrapassagem, se não fosse a pressa", desabafa Sônia.

As 41 vítimas do acidente foram enterradas nesta quinta-feira (26). A maioria dos sepultamentos ocorreu no município de Itaí.

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O velório coletivo dos corpos aconteceu nos ginásios esportivos da cidade. No final da tarde, as famílias se encontraram no cemitério de itaí, onde vivia a maior parte dos trabalhadores que morreram. Balões foram soltos em um momento de homenagem.

Os investigadores tentam esclarecer o que provocou a colisão entre o ônibus e o caminhão. A polícia vai comparar os depoimentos de sobreviventes e de outras testemunhas com a versão apresentada pelo motorista do ônibus.

"São as versões: houve uma tentativa de frear e não funcionou, e não houve a tentativa de frear e simplestemente uma tentativa de ultrapassagem em local proibido", detalha a delegada Camila Alves Rosa. "Tudo indica para que não tenha sido uma falha mecânica. mas eu não tenho como afirmar isso com um laudo na mão."

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Uma nova perícia foi feita no que restou do ônibus. A empresa de transporte era clandestina e rodava ilegalmente desde outubro do ano passado.

"O ônibus corria um pouco, era agitado no volante, corria bastante. inclusive passa na rua da minha casa. às vezes eu ouvia o zumbido do ônibus, eu até me sentia mal", conta Teresinha de Oliveira, mãe de uma das vítimas.

Márcio, um dos trabalhadores mortos, sempre se queixava dos riscos no trajeto entre as cidades de Itaí e Taguaí. "Todo dia ele reclamava. Todo dia o ônibus quebrava, Todo dia. Eu trabalhei lá 6 anos e meio, quantos acidentes nós tivemos no caminho? A firma nunca tomava providências. Nunca”, diz a viúva, Sidinalva Madalena da Silva,

A empresa por meio do advogado, em um primeiro momento, disse que ônibus era rateado, contratado pelos próprios funcionários.

Sônia nega. "Não. Só uma fachada. Eram eles quem pagavam. Eles colocavam no holerite como se descontasse de nós, mas na verdade, não descontava. Era o patrão quem pagava o ônibus."

"Perder a esposa e genro, né? Deixar a criança, o molequinho dele com menos de 2 anos, o primeiro filho. Estava com a vida toda, um rapaz de 25 anos e perder a vida num acidente tão brutal assim", diz o viúvo e sogro de duas vítimas, Dorival Pacheco

A Star Fretamento e Locação afirmou que toda a documentação do ônibus envolvido no acidente está em dia e que está ajudando as vítimas e auxiliando com a investigação. A empresa Status Jeans também disse que está prestando auxílio aos parentes das vítimas e colaborando com as autoridades.

"Todos os nossos sonhos interrompidos por uma imprudência. Não só os nossos, mas de todos nós que estávamos dentro do ônibus. Foi horrível. Somente quem sobreviveu sabe", lamenta Sonia.

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