São Paulo Tecnologia desestimularia ataques a bancos no interior, diz especialista

Tecnologia desestimularia ataques a bancos no interior, diz especialista

Ex-comandante da PM de São Paulo sugere que bancos adotem medidas implementadas na Europa para combater os crimes

  • São Paulo | Cesar Sacheto e Kaique Dalapola, do R7

Assaltantes invadindo banco

Assaltantes invadindo banco

O implemento de dispositivos tecnológicos no transporte de valores e armazenamento de grandes quantias nos polos regionais das instituições bancárias desestimularia a ação de grupos criminosos especializados em ataques a agências instaladas nas cidades de pequeno e médio porte no país, como o ocorrido em Araçatuba (SP), no dia 30 de agosto — que aterrorizou a população local e terminou com a morte de moradores, conforme avalia o coronel PM da reserva José Vicente da Silva, consultor em segurança pública.

Ex-comandante da PM paulista, o especialista lista algumas medidas de segurança — meramente técnicas ou tecnológicas, sem o armamento de equipes de vigilância privada — que considera como fórmula básica para reduzir drasticamente, "até o ponto de zerar", os assaltos praticados em bancos no interior do Brasil.

O coronel destaca que essas técnicas são essenciais para combater esse tipo de crime e são usadas internacionalmente, sobretudo em países que conseguiram extinguir essas ações criminosas.

No Brasil, o especialista também destaca que os bancos tiveram uma redução drástica de assaltos porque colocaram detectores de metais, porta-giratória, tintas, câmeras, entre outras coisas, e isso foi reduzindo. "Não foi a polícia que reduziu os assaltos a bancos, foram os bancos pelas medidas técnicas e tecnológicas", explicou.

Essa diminuição nos assaltos se refletem no Estado de São Paulo, e o governo paulista apresenta quedas históricas nos últimos anos. "Crimes como os roubos a banco e explosões de caixas eletrônicos estão em queda há mais de uma década em São Paulo. Considerando só o intervalo dos últimos 10 anos, a redução desses indicadores chega a 92,18% e 98%, respectivamente", informou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São paulo.

Para José Vicente, a solução para os ataques às instituições financeiras não será com a polícia mais armada ou com vigilantes privados portando fuzis ou armamentos pesados.

Ele entende que as empresas de transporte de valores têm um grande negócio nas mãos. "Somente um dos grandes bancos paga cerca de R$ 100 milhões por ano para as empresas fazerem esse transporte de valores", afirma. O investimento em tecnologias pode impactar nesse faturamento ou reduzir a quantidade de pessoas necessárias para cada operação.

O coronel destaca que, à medida que se torna o transporte de valores mais seguro, não se precisa mais de carros blindados, porque o dinheiro está protegido automaticamente. Consequentemente, assim como na Europa, as empresas passariam a colocar os malotes em carros normais, sem segurança armada.

É nessa questão que o país esbarra nos focos de resistências. Pelas normas atualmente ajustadas entre a federação dos vigilantes, empresas de transportes, Banco Central e Polícia Federal, para cada veículo de transporte de valores, são obrigatórios quatro vigilantes. "Se tem uma queda drástica de demanda por transporte de valores, já que os malotes estariam mais seguros pela tecnologia e não pelos homens armados, vai ter que dispensar muitos vigilantes. Mesmo problema que tivemos em São Paulo na hora de tirar cobradores de ônibus. A tecnologia veio e substituiu".

João Vicente pondera ainda que existem enormes estruturas criminosas por trás desses ataques, e que os criminosos estão aproveitando da fragilidade de resposta tanto da prevenção, por parte das instituições financeiras e do Banco Central, como da polícia em termos de investigação.

Enquanto as medidas que podem resolver a questão a longo prazo não são implementadas, o coronel destaca que a polícia tem que fazer o seu trabalho de investigação e inteligência, identificar essas pessoas que fazem parte das quadrilhas conhecidas de ataques a bancos, e prendê-las.

A reportagem questionou a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que afirmou que não comentaria o assunto.

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