Único fundador vivo do PCC é transferido para presídio federal

Em penitenciária de MS há três meses, Geleião foi julgado semana passada em Osvaldo Cruz

A penitenciária de Campo Grande, onde está Geleião

A penitenciária de Campo Grande, onde está Geleião

Divulgação

Único fundador vivo do PCC (Primeiro Comando da Capital), José Márcio Felício, o Geleião, é também o único entre os criadores da facção a ser levado para um presídio federal. Há três meses, o preso — que em 2006 foi expulso do grupo criminoso — deixou a penitenciária de Iaras (interior de SP), administrada pelo governo do Estado de São Paulo, e deu entrada na penitenciária federal de Campo Grande (capital de MS).

O motivo da transferência é mantido em sigilo pelas autoridades.

Há dez dias, Geleião chegou a deixar temporariamente o presídio federal e ser levado, sob forte esquema de segurança, para Penitenciária 1 de Presidente Venceslau (também no interior de SP), para participar de um júri em Osvaldo Cruz, cidade vizinha a Venceslau.

Ele era acusado de matar, por estrangulamento, em 2006, dentro da penitenciária da Osvaldo Cruz, o preso Nilton Tadeu dos Santos. A vítima não teria permitido que sua mulher fosse usada para introduzir drogas na cadeia, o que teria irritado Geleião. De acordo com a sentença, publicada na última quinta-feira (27), Geleião confessou o crime. Ele foi condenado por maioria dos votos do Conselho de Sentença, e a juíza Mariana Sperb estipulou uma pena de 29 anos e quatro meses.

Fundação do PCC

Em agosto de 1993, Geleião uniu-se a outros sete presos para fundar, no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté, o PCC. Eram eles: Ademar dos Santos, o Dafé; António Carlos dos Santos, o Bicho Feio; António Carlos Roberto da Paixão, o Paixão; César Augusto Roriz da Silva, o Cesinha; Isaías Moreira do Nascimento, o Esquisito; Mizael Aparecido da Silva, o Miza; e Wander Eduardo Ferreira, o Cara Gorda.

Depois da megarrebelião de 2001, que  obrigou o governo paulista a admitir publicamente a existência do PCC, Geleião e Cesinha foram enviados ao complexo penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, numa tentativa das autoridades de isolar os líderes da facção. Ali, ambos trabalharam para estreitar as relações entre o PCC e o Comando Vermelho — aliados históricos, PCC e CV romperam recentemente sua união, provocando uma série de mortes em presídios do Norte do País, onde presos das duas facções conviviam.

Após disputas internas pelo poder no PCC, Geleião e Cesinha foram expulsos da facção em novembro de 2002 e jurados de morte pelos ex-companheiros. Eles então chegaram a criar o TCC (Terceiro Comando da Capital). O novo grupo criminoso, no entanto, perdeu força após Cesinha ser morto em 2006.

Leia mais notícias de Brasil