Vídeo: PM de São Paulo investiga policiais que cantaram música sobre o Massacre do Carandiru
Massacre aconteceu em 1992 e deixou 111 presos mortos; SSP-SP diz que conduta ‘não condiz com as práticas da instituição’
São Paulo|Do R7, em Brasília
A SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo) abriu uma investigação sobre policiais militares que aparecem em um vídeo cantando uma música sobre o Massacre do Carandiru. Na letra, o grupo exalta as cenas de violência durante o episódio, com versos como: “Lá só tinha lixo, a escória, na moral”, “Bomba, facada, tiro e granada”. Em outro momento da música, o policial que puxa o coro exata a mutilação de corpos dos detentos. Segundo o governo estadual, a apuração dos fatos está a cargo do Comando do Policiamento de Choque.
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No vídeo, os policiais prestam uma homenagem ao o coronel Ubiratan Guimarães, que comandou a operação no Carandiru. “A minha continência, Coronel Ubiratan; Vibra, ladrão, sua hora vai chegar; Escola de Choque tá saindo para caçar.”
O Massacre do Carandiru deixou 111 detentos mortos, sendo que 84 deles sequer haviam sido julgados e condenados por seus crimes. Nenhum policial morreu na ação.
O complexo era formado por sete pavilhões. Na época, 7.257 presos viviam no local, 2.706 deles só no Pavilhão 9, onde estavam encarcerados os réus primários, aqueles que cumpriam sua primeira pena de prisão ou que ainda aguardavam julgamento.

A SSP-SP afirmou que a conduta dos policiais “não condiz com as práticas da Instituição e medidas cabíveis serão tomadas”. Os nomes dos policiais envolvidos não foram divulgados.
Veja nota completa da SSP
“A Polícia Militar, assim que tomou conhecimento do vídeo, determinou a instauração de uma investigação, por meio do Comando do Policiamento de Choque. A conduta dos policiais que aparecem nas imagens não condiz com as práticas da Instituição e medidas cabíveis serão tomadas.”
Detentos tomam banho de sol na Casa de Detenção de São Paulo, localizada na zona norte da capital paulista, em 1975. Inaugurado em 1920, o presídio conhecido como Carandiru ficou marcado por incontáveis rebeliões, quase sempre violentas e com mortes. E...
Detentos tomam banho de sol na Casa de Detenção de São Paulo, localizada na zona norte da capital paulista, em 1975. Inaugurado em 1920, o presídio conhecido como Carandiru ficou marcado por incontáveis rebeliões, quase sempre violentas e com mortes. Em 2002 iniciou-se o processo de desativação do complexo, transformado no Parque da Juventude, um complexo cultural e recreativo de 240.000 m², administrado pelo governo do Estado
Relembre
Na tarde do dia 2 de outubro de 1992, por volta das 14h, véspera de eleições municipais, dois detentos brigaram no Pavilhão 9, na Casa de Detenção de São Paulo, um complexo penitenciário construído nos anos 1920, no bairro do Carandiru, na zona norte de São Paulo.
A vida trancafiada em uma cela de presídio não é mais vida no seu sentido pleno. Passa a ser sobrevivência. Pagar por um crime no encarceramento significa: a saudade, a solidão, a loucura, às vezes o arrependimento, uma incessante tentativa de ocupar o...
A vida trancafiada em uma cela de presídio não é mais vida no seu sentido pleno. Passa a ser sobrevivência. Pagar por um crime no encarceramento significa: a saudade, a solidão, a loucura, às vezes o arrependimento, uma incessante tentativa de ocupar os dias para que eles passem rápido. Durante alguns anos, a fotógrafa Maureen Bisilliat se dedicou a ouvir o depoimento dos internos do que já foi o maior presídio da América Latina — o Carandiru, e saber deles o que é essa experiência. — Quando um homem é preso, vem com sua história e com o ambiente em que vivia. Ele tenta recriar isso dentro das limitações prisionais. Por isso, se você analisar, o Carandiru era um espaço vivo com uma arte de raiz de rua. Essa rotina dentro do presídio é tema da exposição Sobrevivências - uma exposição Sobre Vivências: Carandiru, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. Os objetos da mostra foram recolhidos do presídio antes de sua demolição, em 2002. Reportagem: Sylvia Albuquerque, do R7
A briga entre os detentos logo se generalizou e se transformou em uma rebelião. A Polícia Militar foi chamada para conter o conflito. Após falha em uma tentativa de negociação com os presos, o comando policial decidiu entrar no local com metralhadoras, fuzis e pistolas.
Ubiratan Guimarães
A responsabilidade pela ação policial só começou a ser julgada quase dez anos depois. Em 2001, o coronel Ubiratan Guimarães, que comandou a operação no Carandiru, foi condenado a 632 anos de prisão pela morte de 102 dos 111 prisioneiros do complexo penitenciário.
A defesa do coronel recorreu da sentença, e ela foi revertida, tendo sido anulada pelo Tribunal de Justiça em 2006.
Mãe e advogada de Carla Cepollina, Liliana Prinzivalli, chega ao Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, para o primeiro dia do julgamento da morte do coronel Ubiratan Guimarães
Mãe e advogada de Carla Cepollina, Liliana Prinzivalli, chega ao Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, para o primeiro dia do julgamento da morte do coronel Ubiratan Guimarães
O coronel acabou assassinado dentro de casa, em 2006. A conclusão da Polícia Civil e do Ministério Público é de que ele foi morto pela namorada.














































