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Virada 2015 tem ruas vazias, descaso na periferia e shows com horários e endereços errados

Edição foi marcada por informações desencontradas e pouco interesse do público

São Paulo|Helder Maldonado, do R7

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Show do cantor Belo começou bem antes do previsto
Show do cantor Belo começou bem antes do previsto

A Virada Cultural 2015 tinha a intenção de descentralizar o evento e aumentar a quantidade de shows na periferia. A ideia foi positiva, a execução nem tanto.

Os erros começaram na divulgação da programação, que foi repleta de equívocos nos horários de shows e também em endereços. As informações do site oficial da Virada não condiziam com o que foi divulgado pela assessoria de imprensa. E essa confusão causou alguns desencontros do público e também das equipes que realizaram a cobertura das apresentações.


O show do cantor Belo, que deveria acontecer às 21h de sábado na Brasilândia, teve início bem antes do previsto. Público e imprensa foram surpreendidos pela mudança repentina e não anunciada. O pagodeiro, inclusive, foi escolhido como substituto de Anitta. E essa é uma história bem confusa. Afinal, a funkeira afirmou nas redes sociais que sequer foi contratada para a Virada. Portanto, a Prefeitura cancelou um show que não aconteceria de qualquer maneira. 

Mas não é só isso. Esses eventos foram anunciados com dois endereços diferentes. No site da Virada, eles estavam agendados para a Brasilândia, mas o palco da rua Rio Branco, no centro, também foi apontado como suposto espaço para abrigar as apresentações. 


Ludmilla, que fez dois shows na Virada, foi anunciada inicialmente como atração nos palcos do Largo do Arouche e em Heliópolis. O segundo show foi transferido para a avenida dos Metalúrgicos, na Cidade Tiradentes, às 18h de domingo. 

Quando a equipe do R7 chegou para cobrir o evento, surpresa: a apresentação teve o endereço remanejado e ninguém no bairro soube informar corretamente em qual lugar a funkeira estava se apresentando. Procurada, a assessoria de imprensa explicou que a troca de endereço foi informada com antecedência, mas que a Secretaria de Cultura não tem total controle sobre os eventos da periferia, que são organizados por adesão e em parceria com associações de bairro e lideranças locais. No site da Virada, os shows de Ludmilla não estavam mais listados na programação em consulta realizada na noite de domingo.


Sem sinalização indicando os eventos da Virada no bairro do extremo da zona leste, foi uma tarefa árdua descobrir onde ocorria o show da funkeira. Após rodar a região por uma hora, nossa equipe desistiu e partiu para a Vila Prudente. Dessa vez, encontramos o show, mas porque o endereço continuava o mesmo contamos com o GPS para nos guiar. Faixa indicando o evento não existia no bairro. O palco foi montado em um campo de futebol com acesso difícil e sem iluminação.

Para chegar, era preciso encarar uma viela enlameada, com lixo e esgoto a céu aberto. Próximo ao palco, cenário semelhante. Ao menos, as condições técnicas apresentadas nos shows estavam boas. O clima também. Famílias e crianças foram prestigiar o cantor carioca. Mas policiamento não foi uma das prioridades na região. Nenhuma viatura estava no local.


Nesse palco, mais uma vez a programação anunciada não condizia com o que aconteceu. A banda Os De Paula e MC Kapela fizeram os shows que antecederam a entrada de Naldo Benny. Mas na programação, os grupos É D Mais e Malícia eram apontados como as atrações. Mesmo com poucas pessoas na plateia, Naldo se esforçou para interagir com o público. Era o mínimo que podia fazer para se redimir de um atraso de 40 minutos. 

As fãs tentaram invadir o palco e foram contidas pela segurança. Técnica de enfermagem, Roberta Gonçalves, disse que aproveitou o momento para ficar bem próxima do ídolo.

- Acho o Naldo um gato. Quando invadiram, não aguentei ficar atrás e aproveitei para ver o show bem perto dele.

No centro

Se na periferia, o descaso com os endereços, iluminação, policiamento e horários foram a realidade da Virada, no Centro da cidade os shows aconteceram com poucos problemas dessa natureza.

O palco com piores condições de estrutura era o da Praça Princesa Isabel, justamente o mais requisitado de sábado. No local, não havia um poste aceso entre o público e os shows foram vistos na mais completa escuridão. Vinho químico e bebidas destiladas de procedência duvidosa foram vendidas sem represálias por parte da polícia. Questionados, os ambulantes revelaram que o lucro estava bom e que dessa vez garrafas de vodca e uísque foram mais procuradas que nos outros anos.

O policiamento, inclusive, este ano era bastante ostensivo. Porém, o maior número de agentes de segurança surgiu em uma Virada com público pequeno. Grande parte dos palcos, mesmo com shows de artistas consagrados, não reuniram multidões nem nos melhores horários.

No Teatro Municipal, mais uma vez as filas marcaram a programação local. Atrasos também aconteceram entre as apresentações de chorinho e de Hermeto Pascoal. Apesar disso, as famílias e jovens que estavam lá não se incomodaram em enfrentar as filas e esperar além do previsto. O metalúrgico Ulises Ribeiro levou a filha de cinco anos na madrugada para conhecer a casa de shows.

- Primeira vez dela na Virada. Queria que fosse algo marcante. 

O Galinhódromo, na praça Roosevelt, foi mais uma prova de que o evento não foi tão frequentado quanto o esperado. Das cerca de 15 barracas no local, apenas a de Alex Atala contava com uma fila de curiosos para provar a famosa galinhada. As demais, ficaram vazias a maior parte do tempo. Dessa vez, o local não contou com o cenário caótico de 2012, quando as enormes filas e confusões impediram os frequentadores da Virada de experimentar o prato de Atala.

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