Saúde Açaí contaminado causa doença de Chagas em família no Pará

Açaí contaminado causa doença de Chagas em família no Pará

Casos ocorreram na cidade de Curralinho, na ilha de Marajó; o Estado registra 230 casos da doença este ano, transmitida pelas fezes do inseto Barbeiro 

Açaí contaminado causa doença de Chagas em família no Pará

Prefeitura de Belém afirma que maioria dos açaís na cidade estão impróprios

Prefeitura de Belém afirma que maioria dos açaís na cidade estão impróprios

Reprodução

O consumo de açaí contaminado foi a causa da doença de Chagas em sete membros da mesma família – mãe, pai e filhos – na cidade de Curralinho, na ilha de Marajó. A informação foi confirmada pela Secretaria Estadual de Saúde do Pará (Sespa).

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Os pacientes estão em tratamento, segundo a Sespa. A secretaria afirma que agentes comunitários de saúde estão orientando a comunidade sobre a manipulação adequada do açaí e a prevenção da doença.

O Pará registra 230 casos da doença de Chagas desde o início do ano, sendo 26 na cidade de Breves, 24 em Belém, 19 em Barcarena, 18 em Acará, 17 em Cametá, 9 em Abaetetuba, 7 em Limoeiro do Ajuru, 5 em Melgaço, 9 em Tucuruí e 12 em Curralinho. No ano passado, foram 308 casos no total.

A doença de Chagas está na lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de doenças negligenciadas. É causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida por meio das fezes do inseto barbeiro.

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Embora tenha sido descoberta há mais de cem anos, a enfermidade ainda afeta mais de 6 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, e estimativa é que haja mais de 1 milhão de pessoas infectadas pela doença. Cerca de 200 por ano têm o diagnóstico confirmado, segundo o Ministério da Saúde.

Cerca de 95% dos casos registrados da doença no país concentram-se na região Norte, sendo o Pará responsável por 85% dos casos, segundo o Ministério. Em relação às principais formas de transmissão no Brasil, são 69% por alimentação, 9% pela picada do inseto e 21% não foram identificadas.

Açaí impróprio para consumo

Um levantamento realizado pela Prefeitura de Belém divulgado em outubro mostrou que entre 268 pontos de venda de açaí da cidade, 134 possuíam selo de qualidade, no entanto apenas 28 deles foram considerados satisfatórios para consumo.

A maioria dos produtos apresentava uma elevada quantidade de fragmentos de insetos, o que indica que não foi realizada a etapa de peneiramento, e de coliformes fecais, o que demonstra que não foi feita a etapa do branqueamento, segundo a prefeitura.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Pará, o branqueamento é uma prática obrigatória para a limpeza do açaí e tem o objetivo de evitar a proliferação de microrganismos, como Salmonella sp, coliformes fecais e Trypanossoma cruzi, causador da doença de Chagas.

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Em comunicado, o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, declarou, em relação ao levantamento, que os resultados dos laudos são preocupantes. “Falo não só como prefeito, mas como assíduo tomador de açaí”.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado em agosto identificou a presença de material genético do parasito que transmite a doença de Chagas em alimentos à base de açaí no Pará e no Rio de Janeiro.O DNA foi detectado em 10% das amostras.

A presença do parasito não implica necessariamente risco de transmissão, mas, na pesquisa, a Fiocruz alerta sobre a necessidade de boas práticas de higiene e manufatura dos produtos derivados do açaí.

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