Saúde Antibióticos aumentam risco de câncer de cólon, aponta estudo

Antibióticos aumentam risco de câncer de cólon, aponta estudo

Trabalho salienta a importância do controle deste tipo de medicamento e de que se evite o uso indevido

Antibióticos impactam microbiota intestinal, afirmam autores do estudo

Antibióticos impactam microbiota intestinal, afirmam autores do estudo

Pixabay

Cientistas da Universidade de Umeå, na Suécia encontraram indícios claros da relação entre o consumo de antibióticos e o risco aumentado do desenvolvimento de câncer de cólon nos próximos cinco a dez anos.

Os resultados foram publicados nesta quarta-feira (1º) no Jornal do Instituto Nacional do Câncer, da Oxford University Press.

A pesquisa analisou dados de 40 mil casos de câncer de cólon  e identificou um risco de 17% maior de desenvolver este tipo de tumor entre indivíduos que fizeram uso de antibióticos por mais de seis meses.

O risco aumentado, no entanto, foi observado no cólon ascendente — a primeira parte a ser alcançada pelos alimentos após o intestino delgado. Não houve risco maior no cólon descendente nem no reto.

De acordo com os autores do estudo, o aumento do risco deste tipo de câncer foi observado até mesmo entre pessoas que fizeram um único tratamento de antibióticos.

A principal suspeita dos pesquisadores é de que o medicamento, embora fundamental para o tratamento de uma série de doenças, tenham impacto na microbiota do intestino.

Para entender como os antibióticos aumentavam o risco de câncer de cólon, os cientistas utilizaram dois tipos de tratamento em diferentes pacientes com infecção urinária: antibiótico e outra droga bactericida não antibiótica que não afeta a microbiota.

Ao final, eles perceberam que esta outra droga não aumentou o risco de câncer, o que deixou mais clara a relação do antibiótico com os tumores.

“Os resultados reforçam o fato de que há muitos motivos para restringir os antibióticos. Embora em muitos casos a terapia com antibióticos seja necessária e salve vidas, no caso de doenças menos graves que podem ser curadas de qualquer maneira, deve-se ter cuidado. Acima de tudo, para evitar que as bactérias desenvolvam resistência, mas, como mostra este estudo, também porque os antibióticos podem aumentar o risco de câncer de cólon futuro ”, explica em comunicado Sophia Harlid, pesquisadora de câncer na Universidade de Umeå.

No Brasil, os tumores de cólon e reto representavam cerca de 9% de todos os novos casos em 2020, totalizando 41 mil diagnósticos naquele ano.

A pesquisadora, todavia, diz que não há motivo para que pessoas que tenham feito uso de antibióticos se preocuparem.

"O aumento do risco é moderado e o efeito sobre o risco absoluto para o indivíduo é bastante pequeno."

O estudo sueco confirma os achados de um trabalho realizado anteriormente no Reino Unido.

Os cientistas concluíram, em 2019, que foram receitados antibióticos a 70% (20.278) dos pacientes com câncer intestinal e retal e a 68,5% (93.862) entre as pessoas que não tinham câncer. Para quase seis em cada dez participantes da pesquisa foi prescrito mais de um tipo de antibiótico.

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