Saúde Anticorpos da dengue agravam microcefalia da zika, diz estudo

Anticorpos da dengue agravam microcefalia da zika, diz estudo

Em vez de neutralizar o vírus da zika, os anticorpos da dengue se ligariam a ele, permitindo que se reproduzisse, segundo os pesquisadores

Anticorpos da dengue agravam microcefalia causada pela zika

Na microcefalia, o bebê apresenta crânio com menos de 33 cm de diâmetro

Na microcefalia, o bebê apresenta crânio com menos de 33 cm de diâmetro

Sumaia Villela/Agência Brasi

Os anticorpos produzidos por uma mulher que teve dengue irão agravar o grau de microcefalia do feto caso ela contraia zika na gravidez. A dengue e a zika são transmitidas pelo mesmo vetor, o Aedes Aegypti, e pertencem às mesmas regiões endêmicas.

Isso é o que demonstrou um estudo realizado por pesquisadores das Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e Universidade Nacional de Singapura, publicado nesta quarta-feira (27) na Science Advances.

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O vírus da zika está associado à microcefalia em fetos. Os pesquisadores ressaltaram no estudo que o risco de microcefalia é maior quando as mães são expostas ao vírus durante o primeiro trimestre de gravidez, no entanto, ainda não se sabe por que a infecção leva alguns fetos à microcefalia e outros, não.

As semelhanças antigênicas entre os vírus da zika e da dengue sugerem que os anticorpos maternos poderiam promover a microcefalia induzida pela zika, de acordo com o estudo realizado em camundongos.

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Os pesquisadores demonstraram que os anticorpos específicos para dengue em camundongos prenhes infectados pela zika aumentaram a transmissão vertical do vírus (de mãe para filho durante a gestação, parto ou amamentação), resultando em microcefalia grave.

Devido às semelhanças estruturais entre zika e dengue, os anticorpos contra um dos vírus é capaz de reagir de forma cruzada com o outro, possivelmente levando à potencialização dependente de anticorpos (ADE, na sigla em inglês).

Nesse fenômeno biológico, em vez de neutralizar e aniquiliar o vírus, os anticorpos se ligam a ele de forma “frouxa”, permitindo que se reproduza nas células.

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Segundo o estudo, a evidência desse fenômeno ainda não está clara em modelos animais. Embora tenha sido demonstrada em camundongos, apresentou resultados conflitantes em primatas.

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