Saúde Casos de pedras nos rins sobem 30% no verão e podem não ter sintomas

Casos de pedras nos rins sobem 30% no verão e podem não ter sintomas

Milton Neves ficou internado após ser diagnosticado com hérnia e pedras nos rins; problema é mais comum em homens por causa da alimentação

  • Saúde | Brenda Marques, do R7

Milton Neves foi diagnosticado com duas pedras nos rins

Milton Neves foi diagnosticado com duas pedras nos rins

Reprodução/Twitter

Casos de pedras nos rins, como o que levaram o apresentador Milton Neves a ser internado, são mais frequentes em homens. 

Afastado da rotina de trabalho, ele também foi diagnosticado com hérnias. 

“Estou em casa vetado pelo departamento médico após ‘disputas’ no ‘Estádio’ Sirio-Libanês contra duas hérnias e duas pedras no rim: as pedras Denilsa e Neto“, contou no último domingo (26), pelo Twitter.

Os casos aumentam 30% durante o verão por consequência da desidratação. Esta, inclusive, é a principal causa da formação de cálculos renais, que podem não ter sintomas, de acordo com o urologista Alex Meller da Unifesp e do Hospital Israelita Albert Einstein.

Ele explica que as pedras se formam pela junção de cristais que estão presentes na urina.

“Na hora de filtrar a urina, o nosso rim libera substâncias que estimulam e inibem a formação de cálculos. Se esse mecanismo está desequilibrado [com mais estimulantes], se formam cristais na urina. Esses cristais têm cargas elétricas e começam a se grudar”, descreve.

Os componentes que favorecem a formação de pedras nos rins são cálcio, oxalato, ácido úrico, fosfato e sódio.

“O sódio está presente no sal e também em alimentos ultraprocessados — como os de fast-foods, comidas congeladas, temperos prontos, embutidos e enlatados, entre eles palmito e azeitona — nos quais o sal é usado como conservante”, destaca.

Os brasileiros consomem de quatro a cinco vezes mais do que a quantidade recomendada de sódio por dia, segundo o especialista.

“Outra coisa que gera bastante cálculo é o excesso de proteína, pois ela está vinculada à acidez da urina. O recomendado é reduzir o consumo de acordo com o peso da pessoa: se ela pesa 80 kg, deve ingerir 80 g de proteína”, afirma.

O ideal, de acordo Meller, seria comer um bife pequeno de carne vermelha ou de frango por dia. “Ao contrário do que muitos pensam, o problema não é o leite. Pode tomar normalmente, é só não exagerar”, aconselha.

O hábito alimentar é o que faz o aparecimento de cálculos renais ser mais comum em homens.

“Acredita-se que tem relação com a alimentação, eles tendem a comer mais carne e sódio do que as mulheres, mas cientificamente isso não foi demonstrado", pondera.

“Uma pesquisa feita nos Estados Unidos há cerca de quatro anos mostrou que o problema afeta 11% dos homens, 7,5% das mulheres e, em média, 9% da população geral. O panorama não deve ser muito diferente aqui no Brasil”, acrescenta.

Casos aumentam 30% no verão e podem ser silenciosos

O urologista define a desidratação como a causa “número um” da formação de pedras nos rins. Este é um dos fatores que geram o aumento de casos no verão: há um avanço de 30%, segundo levantamento da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo com base nos dados do Centro de Referência em Saúde do Homem, ligado ao Hospital de Transplantes do Estado.

Além disso, o médico observa que nessa época as pessoas tendem a fazer mais exercício nessa época. “O fato de se movimentar mais causa uma mobilização das pedras formadas, é aí que o paciente vai sentir dor”, ressalta.

Ele esclarece que os cálculos renais são assintomáticos se forem pequenos, o que causa dores é a mobilização.

“Eles [cálculos] se tornam sintomáticos quando se movem em direção ao ureter [canal que fica entre os rins e a bexiga]”, explica.

“Esse canal tem 3 mm, e a dor da cólica surge quando o cálculo está passando por ele. Ao mesmo tempo, a urina não consegue passar, por isso dói”, completa.

Além da dor, os sinais incluem sangramento na urina e infecções urinárias.

Cirurgia não é indicada para todos

O tratamento varia conforme o tamanho das pedras. “Se o cálculo tem até 5 mm, só precisa de acompanhamento e orientação em relação à dieta. Porque, neste caso, as pedras podem sair naturalmente”, diz o urologista.

Já para pedras entre 5 mm e 10 mm é feita a chamada implosão. “A gente encosta uma máquina nas costas do paciente e ela emite ondas de choque que quebram a pedra dentro do rim. Esse tratamento dói, então a pessoa fica sedada”.

Para cálculos maiores o tratamento é cirúrgico — até 20 mm é feito com laser. “É percorrido um caminho por dentro da uretra, da bexiga até o rim. Então dá para quebrar a pedra diretamente”, explica. O procedimento dura entre 30 minutos e duas horas.

Acima desse tamanho, as pedras são quebradas por meio de agulhas inseridas nas costas da pessoa. “Também é feito um trajeto até o rim e a gente usa um aparelho que quebra e absorve a pedra ao mesmo tempo, com ondas de ultrassom”, descreve.

Para prevenir o surgimento de cálculos renais, é necessário ter uma dieta saudável. "As pessoas devem dar preferência para frutas cítricas - como laranja e limão -, verduras e legumes, pois são alimentos ricos em substâncias que inibem a formação de cristais, como citrato e magnésio", explica Meller.

Tomar líquidos com frequência é outra dica importante. "Não precisa beber somente água, o ideal seriam sucos cítricos", aconselha.

Refrigerante pode apodrecer os dentes e dar pedras nos rins:

Últimas