Como Thais Carla, obesidade na gravidez requer cuidados da mãe 

Especialista também ressalta a importância da sensibilidade do obstetra, para não constranger a paciente; bailarina de 157 kg está grávida do segundo filho

Thais Carla anunciou  gravidez em setembro, sem revelar a idade gestacional

Thais Carla anunciou gravidez em setembro, sem revelar a idade gestacional

Reprodução/ Instagram

A bailarina Thais Carla, 28, revelou sua segunda gravidez em setembro e falou sobre o receio por causa de seu peso: “Nunca imaginei que fosse possível, pois na minha primeira gestação eu estava mais magra”, afirmou em rede social. Ela, que ficou conhecida por ser dançarina de Anitta, tem 1, 69 cm de altura e pesa 157 kg.

Uma grávida é considerada obesa quando seu índice de massa corpórea (IMC) - calculado a partir do peso dividido pela altura ao quadrado  - é maior que 30 Kg/m². Já o caso de Thais se enquadra em obesidade mórbida, pois seu IMC está acima de 40 Kg/m2.

Alberto d'Áuria, ginecologista e obstetra da Maternidade Pro Matre Paulista diz que a obesidade na gravidez merece atenção triplicada do obstetra, em trabalho conjunto com o nutricionista e dedicação da paciente. "Temos que ter bastante atenção à doença hipertensiva específica da gravidez, que é uma etapa anterior à pré-eclampsia. Mas isso é plenamente gerenciável e a gestação pode evoluir com sucesso", afirma.

Ele costuma tratar suas pacientes grávidas e obesas com muita sensibilidade. "Quando ela chega ao consultório e está com peso acima do esperado, já vem contrangida, porque sabe que vai receber aquelas orientações militares sobre perda de peso", observa o médico.

Riscos associados à obesidade

A obesidade faz uma mulher grávida ficar mais vulnerável a vários riscos. A pressão alta é o mais comum, de acordo com o ginecolgista Olímpio de Moraes Filho, presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência Pré-natal da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). 

Existem três síndromes de pressão alta que são mais frequentes em grávidas obesas: a pré-eclâmpsia, a hipertensão gestacional e a crônica. "Tem o caso em que a mulher não é hipertensa, mas fica na gravidez, chamado de eclâmpsia e a pré-eclâmpsia, que é a hipertensão associada a uma lesão renal por perda de proteína", detalha Barbosa.

"A pré-eclâmpsia pode gerar quadros hemorrágicos, descolamento de placenta e muitas vezes dooenças circulatórias como AVC gestacional, que é um quadro super grave", afirma.

Ela ocorre quando o feto libera proteínas na corrente sanguínea da mãe. Isso gera uma resposta imunológica que agride as paredes dos vasos sanguíneos, fazendo com que elas se contraiam e aumentem a pressão arterial.

A diabete associada à prematuridade também ocorre com mais frequência em obesas. A doença está associada ao fato de que essas mulheres estão mais propensas a ter fetos grandes e dar à luz bebês com mais de 4 kg. "Isso facilita a ocorrência de complicações e pode gerar lesões no bebê e na mãe", afirma o especialista.

Esse fenômeno, chamado de macrossomia, também faz o útero aumentar mais que o normal e ter dificuldade para se contrair, o que facilita a ocorrência de hemorragia pós-parto.

Outro problema é a morte do feto durante a gravidez. "As grávidas com obesidade têm distúrbios metabólicos, como aumento da glicemia, que causam sofrimento fetal e podem levar à sua morte", afirma Olímpio. Ele explica que a alta concentração de glicose no sangue diminui a chegada de oxigênio ao bebê, pois afeta o trabalho dos glóbulos vermelhos do sangue.

Em relação às mortes maternas, quase 75% são causadas por hipertensão, hemorragias graves, infecções, complicações no parto e abortos inseguros, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Dieta balanceada e prática de exercícios é o caminho

O especialista ressalta que uma grávida obesa tem que ter uma dieta balanceada para controlar o ganho de peso, fazer exercícios e evitar o açúcar, pois ele é o "grande vilão".

Por sua vez, Alberto d'Áuria concorda em relação ao consumo de açúcar. "Ela deve comer de 3 em 3 horas. Eu corto radicalmente o açucar refinado, pois esse item inflama o organismo e predispõe a grávida ao caminho da diabete gestacional".

Ele aconselha fazer 90 minutos de exercicio por semana, com trabalho muscular. "Assim dilatam os vasos periféricos e a pressão vai diminuir. O trabalho da insulina, que consome o açúcar, também será melhor", explica o obstetra.

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