Saúde Covid: OMS prevê aumento de internações pela variante Ômicron

Covid: OMS prevê aumento de internações pela variante Ômicron

China impôs um novo confinamento para controlar a doença entre a população; países da Europa já registram aumento de casos

AFP
  • Saúde | por AFP

Variante Ômicron do novo coronavírus deve aumentar número de pessoas internadas no mundo

Variante Ômicron do novo coronavírus deve aumentar número de pessoas internadas no mundo

Pixabay

A rápida propagação da Ômicron causará "um grande número de hospitalizações" de pessoas com Covid-19, embora se trate de uma variante um pouco menos perigosa que sua antecessora, advertiu o braço europeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (28).

"Um rápido aumento da Ômicron, como o que observamos em vários países – embora combinado com uma doença ligeiramente menos grave –, provocará um grande número de hospitalizações, especialmente entre os não vacinados", afirmou Catherine Smallwood, uma das autoridades da OMS Europa.

A especialista em resposta a emergências pediu que os dados preliminares sejam considerados "com cautela", já que hoje os casos observados se referem principalmente a "populações jovens e saudáveis em países com altas taxas de vacinação".

Os primeiros estudos na África do Sul, na Escócia e na Inglaterra mostram que a Ômicron parece causar menos internações do que a variante Delta.

Mas os dados ainda estão muito incompletos, e alguns especialistas afirmam que um maior contágio pode anular a vantagem de uma variante menos perigosa.

Os especialistas também não sabem se essa gravidade aparentemente menor advém das características intrínsecas da variante ou se está relacionada ao fato de ela afetar populações já parcialmente imunizadas (pela vacina ou por infecção prévia).

Diante das incertezas sobre a nova variante – detectada pela primeira vez no fim de novembro, na África do Sul –, os países tentam encontrar um equilíbrio para minimizar os danos econômicos e controlar o aumento dos casos.

China amplia confinamentos


A China determinou nesta terça-feira o confinamento de centenas de milhares de cidadãos para conter um foco de coronavírus, ínfimo na comparação com os números recordes de contágio registrados em países europeus e em algumas regiões dos Estados Unidos.

Mesmo com um número de casos muito inferior ao das potências ocidentais, a China ordenou a centenas de milhares de moradores da cidade de Yan'an (norte) que permaneçam em casa, depois que mais de 200 casos foram registrados em todo o país, um recorde desde março de 2020.

Desde a contenção da primeira onda de coronavírus – que foi detectado no fim de 2019, em Wuhan –, a China aplica uma estratégia de erradicação do vírus que inclui fechamento das fronteiras e restrições severas para cortar a propagação diante de qualquer foco.

Os moradores de Yan'an se unem aos 13 milhões de habitantes da cidade próxima de Xi'an, que estão em confinamento há seis dias.

Novas restrições na Europa


Na Europa, vários governos tentam acelerar a aplicação das doses de reforço e implementam novas medidas restritivas.

França, Grécia, Portugal e Reino Unido registraram nesta terça-feira novos recordes de infecções em 24 horas – respectivamente, mais de 180 mil, 21 mil, 17 mil e 129 mil. Além disso, a variante Ômicron agora é dominante na Suíça e na Holanda.

A Finlândia anunciou que, a partir desta terça-feira, os viajantes estrangeiros não vacinados contra a Covid-19 não poderão entrar em seu território, mesmo que apresentem um teste negativo.

Na Suécia e na Dinamarca, países vizinhos, as autoridades exigem que os viajantes não residentes apresentem um teste negativo, além de estarem vacinados. A Áustria tem a mesma exigência.

Na França, o governo anunciou nesta segunda-feira que o "passaporte sanitário" só estará disponível para as pessoas totalmente vacinadas, e que ele não será mais válido com um teste negativo recente. O documento permite acessar lugares como restaurantes e cinemas.

Nesta terça-feira, a Alemanha implementará novas restrições, incluindo a limitação das reuniões a dez pessoas entre vacinados e a apenas duas entre não vacinados, o fechamento de casas noturnas e a realização de eventos esportivos sem a presença de torcedores.

Mas nem todos aceitam as medidas. Em Bruxelas, capital da Bélgica, no domingo (26), cerca de 5.000 pessoas protestaram contra a decisão do governo de fechar salas de espetáculos, teatros e cinemas, segundo a polícia.

No entanto, a Justiça do país suspendeu a medida nesta terça – exceto no que se refere aos cinemas –, sob o argumento de que as autoridades não demonstraram por que esses locais são especialmente propícios ao contágio.

Além de gerar restrições, a pandemia atingiu economicamente alguns setores, como o de viagens.

Cerca de 11.500 voos foram suspensos no mundo desde a sexta-feira (24), e dezenas de milhares deles sofreram atraso em um dos períodos mais frenéticos do ano. Muitas companhias aéreas acusaram escassez de pessoal, devido à onda de casos positivos pela Ômicron.

Nesta terça-feira, o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou que em 31 de dezembro vai suspender as restrições de viagens impostas a oito países africanos (África do Sul, Botsuana, Zimbábue, Namíbia, Lesoto, Essuatíni, Moçambique e Maláui) devido à variante Ômicron.

"A Ômicron é uma fonte de preocupação, mas não deveria ser uma fonte de pânico", afirmou.

A pandemia de Covid-19 deixou mais de 5,4 milhões de mortos no mundo desde dezembro de 2019, de acordo com a contagem realizada pela AFP nesta terça-feira, com base em fontes oficiais. A OMS considera que esse saldo poderia ser entre duas e três vezes maior.

Últimas