Diabetes gestacional como a de Tatá Werneck pode levar a uma cesárea

Atriz deu à luz nesta semana e revelou que devido ao excesso de glicose no sangue durante a gravidez não pode fazer parto normal

Tatá disse que precisou fazer cesárea devido a diabetes gestacional

Tatá disse que precisou fazer cesárea devido a diabetes gestacional

Reprodução/Instagram

A cesariana da atriz Tatá Werneck, de 36 anos, teve relação direta com um problema ocorrido durante a gestação. A menina nasceu na quarta-feira (23). 

O obstetra Alexandre Pupo, do Hospital Albert Einstein, afirma que a cesárea é indicada quando o bebê tem mais de 4 kg, está em sofrimento metabólico ou quando a diabetes está muito descontrolada trazendo riscos para o bebê.

Sofrimento metabólico é quando falta oxigênio ou alimento para o bebê. Esse quadro é verificado pelo aumento ou diminuição do líquido amniótico e pela alteração no fluxo de sangue do bebê.  

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Segundo o endocrinologista, Renato Zilli, do Hospital Sírio-Libanês, a diabetes gestacional é desenvolvida depois da 20ª semana de gestação. A partir desse período a placenta começa a liberar hormônios que tem efeito contrário ao da insulina.

Mulheres que já têm uma resistência à insulina, podem desenvolver essa doença. As que já têm diabetes tipo 2 precisam de um acompanhamento mais próximo, pois existe o risco de piorar nessa fase da gravidez.

Pupo explica que o bebê possui uma demanda muito alta de açúcar liberando glucagon para pedir o açúcar necessário, o corpo da mãe responde com insulina.

“É como se fosse uma batalha, o bebê pedindo açúcar para crescer e o corpo da mãe controlando para não ter excesso. Em alguns casos a reserva de insulina no pâncreas da mulher acaba, aumentando muito o quantidade de açúcar no sangue, acarretando na diabetes gestacional”, afirma o obstetra. 

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O endocrinologista aponta como fatores de risco: idade acima dos 35 anos, sobrepeso e obesidade materna, antecedente familiar de diabetes tipo 2, uso de corticoides, hipertensão arterial e ter tido diabetes gestacional ou bebês macrossômicos em gestações anteriores. De um a dois terços das mulheres que têm diabetes gestacional vão ter o quadro na próxima gravidez.

Segundo Pupo, o bebê possui um pâncreas muito eficiente, ao receber quantidades grandes de glicose produz insulina e a glicose vai para as células, causando um crescimento além do normal, a macrossomia.

Além disso, caso aconteça uma queda abrupta nos níveis de glicose da mãe o bebê pode ter uma hipoglicemia. A hipoglicemia também pode acontecer após o nascimento, já que ele não terá mais o contato com o sangue da mãe.

Zilli explica que para a mãe o principal risco são as complicações no parto, devido a macrossomia. Além disso, aumentam as chances dela desenvolver diabetes tipo 2, síndrome metabólica e ter problemas cardiovasculares no futuro. 

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A doença praticamente não tem sintomas, por esse motivo é importante fazer o exame de glicose no pré-natal. Segundo o endocrinologista, o teste de glicemia precisa ser menor que 92 mg/dL.

O teste oral de tolerância a glicose é feito com a ingestão de um líquido com muito açúcar, ele precisa ter um resultado maior que 92 mg/dL no momento da ingestão e maior que 180 mg/dL uma hora após a ingestão.

O tratamento é feito inicialmente com controle de peso, alimentação e exercícios físicos leves. Quando não é possível controlar dessa forma, se utiliza o hipoglicemiante oral, que melhora a resposta do corpo a insulina. Em caso mais extremos, a alternativa é a insulina,  que, se aplicada na dose adequada, não envolve riscos para mãe e para o bebê.

Pupo explica que para evitar o quadro é importante manter uma alimentação saudável, com pouco carboidrato, fazer atividades físicas aeróbicas e ter um aumento de peso durante toda gravidez entre 7 kg e 15 kg, sendo que, quanto maior o IMC da mulher no ínicio da gravidez, menos ela deve engordar.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Fernando Mellis

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