Diagnóstico precoce de câncer pode ser a diferença entre apagar um fósforo e um incêndio, afirma oncologista
No Dia Mundial de Combate ao Câncer, entrevistado conversou sobre importância dos exames
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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O dia 4 de janeiro é o Dia Mundial de Combate ao Câncer. Uma iniciativa que começou graças à União Internacional para o Controle do Câncer, com o apoio da OMS (Organização Mundial da Saúde). O objetivo da data é conscientizar a população sobre a doença e incentivar a prevenção, ao mesmo tempo em que influencia governos a promover iniciativas de combate. Mesmo com os esforços, o futuro da condição no Brasil não é animador. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, entre 2026 e 2028, devem ser registrados 781 mil novos casos por ano.
O médico oncologista Walter da Costa, entretanto, enxerga o cenário por outra perspectiva. “Quase 40% dos tumores que serão diagnosticados nesse período são plenamente evitáveis. Isso resulta em quase 300 mil ocorrências de câncer por ano que podem ser impedidas somente com mudanças de hábito de vida”, afirma o especialista no Hora News desta quarta (4).

E que hábitos capazes de evitar uma das principais causas de mortes no país seriam esses? Segundo o especialista, o tabagismo, o etilismo — consumo crônico de bebidas alcoólicas — e o sedentarismo devem todos ser evitados. Além desses, fatores como a obesidade e a falta de vacinação também podem incentivar o aparecimento de um tumor: “Temos algumas infecções, como o HPV, que é o principal fator de risco para a ocorrência de câncer da vulva, colo de útero e pênis. Algo plenamente evitável através da vacinação das crianças e adolescentes”.
Ainda assim, existe a possibilidade de apresentar sintomas da doença e neste caso o mais importante é um diagnóstico precoce. O doutor faz uma análise comparativa: “Tratar um câncer em estágio inicial é como você apagar um fósforo. Agora tratar um câncer em um estágio mais avançado metastático é como se você tivesse que apagar fogo numa floresta inteira”.
Por isso, a realização de exames periódicos como mamografias, no caso de mulheres entre 40 e 50 anos, e de toque retal, no caso dos homens, na mesma faixa etária, são essenciais para garantir a saúde dos pacientes. Costa aponta que também é interessante agendar colonoscopias para identificar aparições de tumores no colorretal, uma tendência que se torna cada vez mais comum entre os jovens devido ao consumo de ultraprocessados. Ainda assim, o médico destaca que cada tipo de diagnóstico pede um exame diferente e que “não existe um exame de sangue mágico que vá cobrir tudo”.
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A agenda dos testes muda dependendo dos diagnósticos de cada um, mas a existência de um histórico familiar da condição pode antecipar as análises. “Se a pessoa tem um parente de primeiro grau com o câncer de próstata ou de mama, ela vai ter um risco quatro vezes maior de desenvolver a doença”, revela o entrevistado, que também chama a atenção para possíveis alterações genéticas que os pacientes podem apresentar, as quais aumentam a probabilidade do aparecimento de tumores em certas regiões.
Na hora do tratamento, Costa comemora que muitos avanços foram feitos num período de dez anos. “Vejo que o câncer perdeu um pouco esse paradigma de que era quase um atestado de óbito”. Os diagnósticos mais certeiros e precoces, a evolução no tratamento e a lenta adoção da imunoterapia no lugar da quimioterapia têm contribuído no combate à doença.
“A imunoterapia visa aumentar a imunidade do paciente para que ele possa combater a célula tumoral. [...] Casos intratáveis antigamente, como melanoma, metastática, ou câncer de pulmão metastático, hoje podem ser curados com esse tratamento”, cita o doutor, que também aponta que o aperfeiçoamento das cirurgias e a introdução de robôs para auxiliar as práticas têm contribuído para o maior índice de sobrevida.

As máquinas não ajudam somente na sala de operação, mas também na hora do diagnóstico. O uso de inteligência artificial para detectar possíveis alterações suspeitas: “Existe uma série de estudos que mostram que a eficácia da I.A. é tão boa quanto a do olhar humano”. Além disso, os algoritmos também podem agilizar a avaliação em grandes populações, como a do Brasil.
Durante a luta, entretanto, ainda é importante priorizar o contato humano ao da máquina. Costa elabora: “A questão do apoio familiar é fundamental. Independente das taxas de sobrevida, qualquer diagnóstico de uma doença oncológica é extremamente traumático”.
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