Diagnóstico precoce é fundamental para combater câncer de estômago

Doença pode ser hereditária ou causada por bactéria comum na população mundial; hábitos alimentares também influenciam no surgimento do tumor

Mr. Catra morreu por causa de um câncer de estômago no domingo (9)

Mr. Catra morreu por causa de um câncer de estômago no domingo (9)

Reprodução/Instagram

Durante todo o ano de 2018, mais de 20 mil pessoas devem descobrir que possuem um tumor no estômago, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer). O câncer de estômago é o quarto mais comum entre homens, o sexto entre as mulheres. Foi o câncer de estômago que matou o funkeiro Mr Catra (49), no último domingo (9).

Em abril desde ano, o cantor divulgou nas redes sociais que estava em tratamento contra a doença desde o início de 2017.

O câncer de estômago pode estar diretamente ligado aos hábitos de vida, entre eles, a alimentação.

Dar preferência para alimentos sem conservantes, pouco processados ou naturais pode ajudar a evitar a doença. O gastroenterologista Thiago Costa Ribeiro, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Moriah, explica que existem estudos que mostram que pessoas que costumam consumir alimentos conservados, com grande quantidade de nitritos e nitratos, componentes que ficam em alimentos deste tipo, têm mais risco de desenvolver a doença.

Isso não significa que o câncer de estômago seja totalmente evitável, ou prevenível. De acordo com o especialista, existem alguns fatores de risco importantes, entre eles o hereditário – ou câncer de estômago familiar – quando várias pessoas da mesma família sofrem com o problema.

Mas o médico destaca que, mesmo nestes casos, é possível fazer o diagnóstico precoce. “Se a lesão é pequena, pouco avançada, você consegue tratar com uma expectativa de cura alta. No câncer de estômago, o ideal é fazer o diagnóstico precoce”, diz.

Em pessoas abaixo de 40 anos, a doença está relacionada a fatores genéticos predisponentes. Já acima dessa idade a causa geralmente está associada fatores ambientais, como presença da bactéria H. pylori e à dieta

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Existe ainda um outro fator que pode causar câncer de estômago: a bactéria chamada H. pylori, que pode ser considerada comum. Entre 70 e 80% da população, em algum momento da vida, vai ter H. pylori no estômago, isso não significa que todos vão desenvolver câncer. “Esta bactéria está associada ao câncer de estômago, mas não é toda a cepa, ou todo o tipo. Existem algumas específicas, normalmente mais frequentes na parte oriental do planeta, que estão associadas ao maior risco”, explica Ribeiro.

A H. pylori pode ser assintomática e costuma chegar ao estômago por meio de alimentos contaminados e sobrevive no órgão, mesmo sendo um local de alta acidez.

Câncer de estômago não apresenta sintomas

O câncer de estômago pode ser assintomático, principalmente nas lesões precoces, na fase inicial, quando o tratamento pode oferecer maior chance de cura.

Para se chegar a um diagnóstico nessa fase inicial, é importante que, a partir dos 40 anos, as pessoas comecem a fazer um programa de rastreamento. A forma como isso é feito varia de país para país. No Brasil, se faz com endoscopia. “Não precisa ser anual, pode ser um a cada dois anos, mas a primeira endoscopia deve ser feita entre 40 e 45 anos”, alerta Ribeiro.

Quando se fala em tratamento para curar o câncer de estômago, o único capaz de fazer isso é a cirurgia. “Mesmo em lesões extremamente precoces, tem de ressecar a lesão de alguma forma”, explica Ribeiro.

De maneira geral, a gastrectomia é a cirurgia indicada, com algumas raríssimas exceções, na qual é possível fazer a retirada por meio de uma endoscopia. A gastrectomia pode ser parcial – para a retirada de uma parte do estômago – ou total, quando todo o estômago é retirado e o paciente passa a viver com o esôfago ligado diretamente ao intestino.

Ribeiro explica que é possível levar uma vida normal, mesmo sem o estômago. Nos primeiros meses, é esperado que o paciente perca uma porcentagem do peso, entre 10 e 15%. "Mas o resto, é vida muito semelhante ao normal. Só é preciso acompanhar algumas deficiências de vitamina, o que se consegue repor normalmente de forma oral”.

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