Saúde Entenda o tratamento feito por Pedro Scooby para voltar a surfar em 30 dias

Entenda o tratamento feito por Pedro Scooby para voltar a surfar em 30 dias

Surfista rompeu parcialmente um dos ligamentos do joelho esquerdo durante treino no Rio de Janeiro; para se recuperar mais rápido ele está usando aplicação de células-tronco

  • Saúde | Carla Canteras, do R7

Scooby pretende estar curado em novembro para estreia no Mundial de Ondas Gigantes

Scooby pretende estar curado em novembro para estreia no Mundial de Ondas Gigantes

Reprodução/Instagram

O surfista de ondas gigantes Pedro Scooby levou um grande susto nesta semana, no mar de Jaconé, município do Rio de Janeiro, ao lesionar o joelho durante uma queda em um treino

Como está em meio à peparação para o Mundial de Ondas Gigantes temporada 2022/2023, que começa em novembro, Scooby será submetido a um tratamento pouco comum, com células-tronco, na expectativa de acelerar a recuperação.

O ortopedista Marco Aurélio Cunha explica que as células-tronco são "indutoras de tecidos" e os dois tipos principais são a embrionária, que é encontrada no cordão umbilical; e a adulta, encontrada na medula óssea.

Atualmente, algumas pessoas optam por congelar o cordão umbilical de seus filhos para usar no caso de doenças futuras, um processo caro e recente.

Para fazer o tratamento como o de Scooby "em geral, elas são aspiradas da região do ilíaco, da bacia, da zona lombar", detalha o médico. 

"O material é elaborado, centrifugado e são tiradas partes dessas células. Aí, elas são cultivadas, separadas e aplicadas no organismo do paciente para induzir a formação do tecido de reparação", complementa.

O ortopedista ressalta ainda que no Brasil esse procedimento não é aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

"Só são permitidos tratamentos-testes sem serem homologados como contribuições, ou podemos dizer, considerados válidos. Seguem no plano de estudos ainda. As pessoas vão para fora do Brasil para fazer em alguns países em que é permitido esse tratamento."

Nas redes sociais, o ex-BBB garante que em um mês ele volta à ativa.

"Eu só tive uma lesão tranquila, na verdade, perto do que poderia ser. Minha temporada não está comprometida. Vou estar ótimo lá em Nazaré [praia em Leiria, Portugal, onde começa o Mundial], porque daqui a um mês eu acho que já volto a surfar", disse Scooby.

O médico afirma que esse tratamento pode ajudar nos casos de lesões mais leves. "É um tratamento de aceleração cicatricial, de recomposição de tecidos, mas que depende também da resposta de cada um ao tratamento, da utilização da infusão certa. Não é uma cola que você vai lá passa e pronto. Tem toda a biologia e a celularidade do paciente."

O especialista considera que há lesões em que mesmo o uso de células-tronco não é capaz de garantir uma cura rápida. 

"Se é um ligamento periférico, recupera, porque ele vai sarar, a cicatrização vai ocorrer, independentemente de qualquer agente que se use. Agora, se é dentro da mecânica do joelho — o ligamento cruzado anterior, o ligamento cruzado posterior, que têm uma complexidade, uma biomecânica bem complexa — as células-tronco não vão resolver."

Atleta recupera mais rápido?

Pedro Scooby agora está em Angola com a namorada Cintia Dicker. Depois, ele seguirá para a Califórnia, nos Estados Unidos, onde se encontrará com os filhos e fará o tratamento da lesão no centro de treinamento de seu patrocinador.

"Agora vou para Califórnia de férias com os meus filhos. Mas eu vou aproveitar porque lá na Califórnia tem o centro de treinamento da Red Bull, com fisioterapia, com os melhores equipamentos, com tudo para eu voltar ainda mais forte", contou aos fãs por meio do Instragram.

Muita gente acha que esse período de 30 dias só é possível porque ele é atleta, mas Marco Aurélio Cunha pondera as diferenças. 

"Existe um preconceito positivo de que o atleta é excepcional. Não, ele é igual a todo mundo. Podemos dizer que os esportistas têm um viés mais arrojado na recuperação, estão treinados para se esforçar mais, para se dedicar mais e são mais resistentes à dor. Talvez o resultado pode ser melhor, mas tempo é tempo. Ninguém consegue fazer antes do outro", finaliza o ortopedista.

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