Entenda os perigos da doença de Chagas após novo surto no Pará
Só neste ano, quatro pessoas morreram e 14 casos foram notificados; números são maiores do que os registros dos últimos cinco anos
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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Após os 14 casos de doença de Chagas que ocorreram em Ananindeua (PA), o Ministério da Saúde classificou o quadro como um surto. Quatro pessoas já morreram em 2026 por conta da doença. Esses números já são maiores do que os registros dos últimos cinco anos somados.
A médica Maria Alayde Rivera, cardiologista e coordenadora de arritmias cardíacas da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, foi entrevistada durante o Hora News desta sexta (30) e comentou a situação.
Segundo ela, houve o consumo de alimentos contaminados pelo parasita causador da enfermidade. Maria disse que nessa maneira de transmissão há uma elevada concentração do parasita e que a resposta imunológica depende de um indivíduo para outro. “O que isso significa é que alguns não apresentarão sintomas importantes e outros, sim; em alguns casos, incluindo a morte”.
Segundo a cardiologista, os principais sintomas da doença incluem febre e mal-estar. Esse quadro inicial chama a atenção, especialmente em zonas endêmicas de Chagas, para investigar rapidamente a presença do parasita no sangue. “O diagnóstico é feito facilmente. O sangue é analisado entre uma lâmina e uma lamínula para tentar encontrar a presença do protozoário”.
Maria adiciona que, com o passar do tempo, outros sinais podem aparecer com o aumento do coração, como: falta de ar, palpitações, insuficiência cardíaca, arritmias, meningite e infecção do sistema nervoso central, estes últimos mais comuns em crianças.
A transmissão da doença se dá pelo Trypanosoma cruzi, agente causador que está presente no trato digestivo do barbeiro — Triatoma infestans —, que pode infectar alimentos como o açaí e a cana-de-açúcar. “E esse alimento que é triturado, mas não cozido, processado e, portanto, purificado, é o que leva à contaminação humana”, explica a entrevistada.

O tratamento na fase aguda é disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e envolve a ingestão de um medicamento chamado Benznidazol, capaz de matar o parasita. Mas para o remédio ter eficácia é necessário um diagnóstico precoce, junto da prescrição da droga: “Ela entra em função do peso corporal e deve ser tomada em um determinado tempo. Então é possível fazer o diagnóstico e é possível fazer o tratamento, mas muito mais importante é possível fazer a prevenção”, avalia Maria.
A profissional também alerta que, em casos crônicos, o coração acaba sendo alterado e pode mudar de tamanho. Segundo Maria, o processo demora em média 20 anos até gerar uma alteração importante.
Por esse exato motivo que ela destaca a importância da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, especialmente durante surtos como o que ocorreu no Pará: “Na fase aguda da doença, em geral, a mortalidade gira em torno de 2%. Tivemos agora uma mortalidade de 10%. É uma situação de gravidade extrema, que não apenas o Ministério da Saúde, mas todas as secretarias de Estado e de municípios e todas as sociedades que podem contribuir para ampliar o conhecimento da população devem se mobilizar”.
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