Epidemia deve se arrastar até 2021 e com 200 mil mortos, diz pesquisador

Casos de covid-19 podem continuar crescendo nas próximos meses no Brasil. Taxa de letalidade, que é o percentual de óbitos entre os doentes, deve cair

Atualmente, Brasil é segundo em casos e óbitos por covid-19 no mundo

Atualmente, Brasil é segundo em casos e óbitos por covid-19 no mundo

ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

A pandemia do novo coronavírus deve avançar até o ano que vem no Brasil. A previsão é do professor e pesquisador da Escola de Matemática Aplicada da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Eduardo Massad, que acredita que o País deve alcançar a marca de 200 mil mortos nos próximos meses. 

Durante debate realizado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo), na noite de terça-feira (14), por meio do canal do Instituto Butantan, no YouTube, o estudioso disse não ter dúvidas de que o a crise sanitária se estenderá até 2021. 

"Não há nenhuma razão para acreditar que isso vá parar antes. Não precisa fazer uma conta muito sofisticada. Nós temos 70 mil óbitos hoje. Estão morrendo mil pessoas por dia, portanto daqui um mês nós vamos ter 100 mil. Nós vamos chegar tranquilamente em 200 mil óbitos. Não há dúvida disso", explicou. 

Entretanto, segundo o pesquisador, a taxa de letalidade —percentual de óbitos entre os indivíduos infectados— vem caindo. Isso teria acontecido por conta de fatores como: ampliação da capacidade de testagem; melhor tratamento; desvio de idade na incidência da doença; e a subnotificação. 

Mortes em São Paulo

A mortalidade por covid-19 em São Paulo deve continuar em um "patamar elevado" até o ano que vem. A estimativa foi apresentada por Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, durante o mesmo evento online. 

"Nós vamos manter essa epidemia por um bom tempo ainda e, provavelmente, a taxa de mortalidade, embora possa até estar estabilizada, em um patamar elevado. Nós estamos tendo aí em torno de 300 óbitos, um pouco mais de 300 óbitos por dia aqui no estado de São Paulo, o que corresponde a um boeing 747. Estamos tendo a explosão de um boeing 747 por dia. E pode ser que isso se prolongue até o ano que vem", disse o diretor do Instituto Butantan.

Dimas Covas afirmou ainda que a alternativa ideal seria o aumento das taxas de isolamento social para 70%, que desde o início da quarentena oficial têm permanecido em torno de 50% em todo o estado. "Seguramente teríamos um comportamento diferente da epidemia. E aí, sim, de fato uma redução importante. E a partir de setembro, outubro, nós poderíamos até mudar de estratégias de combate", completou.

São Paulo acumula 18.324 vítimas fatais e 386.607 casos confirmados de covid-19. O estado, que é o mais afetado pela pandemia do novo coronavírus, embora tenha decretado a prorrogação da quarentena até o dia 30 de julho, está em processo de retomada gradual das atividades econômicas desde o dia 1º de junho.