Família acusa Hospital das Clínicas de negar atendimento a idoso infartado
Jorge Alves Moreira já fazia tratamento contra enfisema pulmonar e trombose na unidade
Saúde|Dinalva Fernandes, do R7*

A família de um homem de 69 anos acusa o HC (Hospital das Clínicas) de São Paulo, de negar atendimento na última quinta-feira (16). Uma funcionária do pronto-socorro não permitiu o acesso do idoso à unidade de atendimento. Após a recusa, ele sofreu um infarto dentro do carro enquanto seguia para outro hospital.
De acordo com Joyce Alves Moreira, o pai dela, Jorge Alves Moreira, não estava se sentindo bem naquela tarde. Ela e a irmã decidiram levá-lo ao HC, onde ele já fazia tratamento contra trombose e enfisema pulmonar.
Quando eles chegaram ao local, a funcionária teria pedido para que o idoso fosse levado a outro lugar porque o hospital só atendia pacientes em estado grave. Segundo a denunciante, a irmã dela explicou a situação. Mesmo assim, o atendimento foi negado.
Joyce afirma ter procurado um hospital mais próximo da sua casa e seguiram para a região. Porém, Jorge, que é alcoólatra, sofreu uma parada cardíaca dentro carro. Desde então, o idoso está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em um hospital particular, em estado grave.
— Ele está entubado porque não consegue respirar sozinho. Por causa da enfisema pulmonar, algumas partes dos pulmões dele são enrijecidas. Além disso, ele aspirou suco gástrico durante o infarto, o que causou uma infecção.
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Ainda de acordo com Joyce, o hospital onde o pai dela está internado é particular e a família não tem condições de arcar com as despesas. Agora, os familiares vão registrar boletim de ocorrência contra o Hospital das Clínicas.
Em nota, o Hospital das Clínicas informou que não há registro de atendimento no nome de Jorge Alves Moreira no sistema e que irá avaliar se houve falha. O hospital explica que, por ser uma unidade de emergência, orienta os pacientes a procurarem atendimento nas AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) ou prontos-socorros próximos à suas residências. “Se for necessário, estes serviços solicitarão sua transferência segura para o local mais adequado para prosseguir o tratamento. O HC atende pacientes com risco de morte trazidos por ambulâncias autorizadas, resgates e SAMU [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência]”.
Ainda de acordo com o hospital, “os pacientes que chegam à porta do Pronto-Socorro são avaliados por um grupo de acolhimento, o qual realiza uma classificação de risco seguindo o Protocolo de Manchester, ferramenta que é referência internacional para a identificação da gravidade dos pacientes. Após a classificação de risco, os pacientes que não se enquadram nos critérios de gravidade referentes às urgências e emergências são orientados a procurar as unidades de atenção primária e secundária da Rede SUS [Sistema Único de Saúde]. ”
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Por fim, o hospital explica que todos os pacientes que passam pela Classificação de Risco têm as anotações feitas no prontuário eletrônico e que não há registro de atendimento no nome do paciente no sistema. “Pelo protocolo de atendimento do HC (descrito acima), ele teria sido classificado para avaliação da gravidade. O HC irá avaliar se houve falha nesse fluxo e se há possibilidade de transferência”.
*Colaborou Rafael Custódio, estagiário da Agência Record















