Saúde Febre, vômito e dor nos olhos podem ser sinais de dengue

Febre, vômito e dor nos olhos podem ser sinais de dengue

São Paulo vive surto da doença; especialista explica como reconhecer a doença

Febre, vômito e dor nos olhos podem ser sinais de dengue

População deve ficar atenta ao mau armazenamento de água

População deve ficar atenta ao mau armazenamento de água

Josi Petengill/Fotos Públicas

São Paulo vive um grande surto de casos de dengue. A doença também tem registrado casos em diversas cidades do País. Segundo último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil teve quase 70 mil notificações em 2015. Para reconhecer a doença, é preciso aos sintomas, como febre, vômitos, dor nas articulações e nos olhos, além de náuseas e perda de apetite.

Segundo Marinella Della Negra, infectologista e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a dengue pode até ser fatal.

 — Quando a pessoa é infectada pela segunda vez, a gravidade da doença é maior. Os sintomas são mais severos e caracterizam a dengue hemorrágica. Nesta, o paciente apresenta pele pálida, sangramentos pelo nariz, boca e gengivas, muitas dores e dificuldade para respirar. E em alguns casos, essa reincidência é mortal.

Para a especialista, em bebês, idosos e gestantes, a atenção deve ser ainda maior, pois possuem características imunológicas que podem comprometer a sua recuperação.

Cidade de São Paulo registra 563 casos de dengue contraídos neste ano

Ainda que haja inúmeras campanhas de conscientização, a epidemia tem ganhado força, especialmente em virtude da crise que assola a cidade. Isso porque, muitas pessoas têm acumulado água em suas residências e, muitas vezes, de forma não adequada, de acordo com Marinella.

— O acúmulo de água limpa nas casas pode estar contribuindo para o aparecimento de mais casos de dengue. A grande maioria das pessoas não a armazena de forma correta mesmo sabendo dos riscos.

Marinella alerta para os pequenos detalhes que podem fazer a diferença em combate à dengue, como sempre manter caixas d'água e recipientes de armazenamento devidamente fechados, não deixar água acumulada em vasos e plantas, encher pratinhos de vasos de planta com areia, armazenar garrafas de cabeça para baixo, e descartar devidamente pneus velhos e ficar atento para o possível acúmulo de água dentro deles.

Segundo a Secretaria de Saúde, São Paulo teve 5.355 casos confirmados da doença. Já na metrópole, o número de casos também é alarmante. Nas seis primeiras semanas deste ano foram registrados 563 casos, número mais de duas vezes superior ao que havia sido registrado no mesmo período em 2014. A estimativa da secretaria é que, até o fim deste ano, o município registre 90 mil casos de dengue, número bem superior ao do ano passado (28.995).

Chikungunya 

De acordo com Celso Ramos, infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, ao contrário da dengue, a doença raramente causa morte e os casos mais graves surgem com frequência em idosos, crianças, gestantes e pessoas com doença renal, hepática, cardíaca e pulmonar.

Embora o vírus chikungunya e o vírus da dengue sejam muito distintos, a avaliação clínica da das duas doenças é bastante semelhante, sendo difícil a sua diferenciação sem a realização de exames laboratoriais.

A febre chikungunya apresenta dores mais fortes, principalmente nas articulações, que podem persistir por semanas ou meses, embora a doença febril em si dure de três a dez dias. Além disso, a temperatura é em geral mais alta do que no caso de dengue, acima de 39 °C e a ocorrência de manchas avermelhadas pelo corpo é mais frequente.

Assim como no caso da dengue e demais doenças virais, não existe tratamento específico. O paciente deve permanecer em repouso, receber antitérmicos, manter-se hidratado e procurar alimentar-se. Em casos de persistência de dores articulares, ou seja, nos joelhos, mãos, pés, cotovelos, coluna dorsal, pode ser necessário o uso de anti-inflamatórios. Como as duas doenças são de fácil confusão, todo caso suspeito de chikungunya deve ser considerado também suspeito de dengue, e assim ser tratado, tentando evitar as complicações.

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