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Sobrou comida das festas de fim de ano? Confira o prazo seguro para guardar cada alimento

Especialistas alertam sobre o tempo ideal de armazenamento e cuidados com a refrigeração

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Ceia (Foto: Freepik) Feed TV - Saúde

Após a ceia de Natal, a geladeira costuma ficar tomada por diversos tipos de comida distribuídas em travessas e potes, além de diferentes tipos de sobras. Para reduzir o desperdício sem comprometer a saúde, é essencial conhecer o tempo seguro de armazenamento dos alimentos e adotar cuidados que fazem diferença na conservação.

Para preservar a segurança dos alimentos, especialistas reforçam que não basta observar apenas o tempo de permanência na geladeira: a forma de armazenamento, o manuseio e o reaquecimento também são determinantes.


De modo geral, as sobras da ceia podem ser consumidas com segurança por até três dias, desde que estejam corretamente acondicionadas. A nutricionista Edvânia Soares, especialista em Vigilância Sanitária, afirma que esse período é válido para preparações cozidas, como carnes, arroz, farofa e outros acompanhamentos.

Segundo a especialista, o principal cuidado é evitar que os alimentos permaneçam por mais de duas horas fora da refrigeração após o fim da ceia. Ultrapassado esse período, a recomendação é levar as sobras imediatamente à geladeira, onde podem ser mantidas por até três dias com segurança.


Ela chama atenção para preparações que demandam maior cautela. Pratos feitos com maionese devem ser consumidos em até 24 horas, já que se deterioram com mais facilidade. Sobremesas à base de leite, como pavê, mousse e rabanada, costumam ter validade de até 48 horas sob refrigeração. Já opções sem creme, como frutas e panetone, podem ser conservadas por mais de cinco dias, desde que armazenadas de forma adequada, explica Edvânia.

A importância das embalagens na conservação dos alimentos


O tipo de recipiente utilizado para armazenar as sobras tem impacto direto na durabilidade e na segurança dos alimentos. Segundo Edvânia, os potes de vidro são a alternativa mais indicada, já que não interferem no sabor, ajudam a preservar melhor as preparações e permitem uma higienização mais eficiente.

O uso de recipientes plásticos é permitido, desde que sejam de boa qualidade e livres de Bisfenol A (BPA). Já o papel-alumínio pode ajudar a cobrir travessas temporariamente, mas não garante vedação adequada nem protege contra a contaminação cruzada.


A especialista recomenda optar por potes bem fechados e dividir os alimentos em porções menores, o que facilita o resfriamento mais rápido e seguro. Mesmo quando as sobras ainda estão dentro do prazo indicado, é fundamental observar possíveis sinais de deterioração. Mudanças no cheiro, na textura ou na cor indicam que o alimento pode não estar próprio para consumo. “Ao perceber qualquer alteração, a orientação é descartar, ainda que o prazo não tenha sido ultrapassado”, reforça a nutricionista.

O consumo de alimentos armazenados além do tempo recomendado pode representar riscos à saúde. Isso porque bactérias e toxinas podem continuar se desenvolvendo mesmo sob refrigeração, aumentando a chance de intoxicação alimentar. Entre os sintomas mais comuns estão náuseas, vômitos, diarreia e mal-estar, e em situações mais graves podem ocorrer complicações que exigem avaliação médica.

A especialista destaca que aquecer novamente a comida não garante segurança quando o alimento já está comprometido. Segundo ela, o reaquecimento só é eficaz se a preparação ainda estiver dentro do prazo e sem sinais de deterioração, já que as toxinas produzidas por bactérias não são destruídas pelo calor. Na hora de reaquecer, a recomendação é que o alimento atinja temperatura elevada, próxima à fervura, acima de 74 °C.

Organização da geladeira ajuda a evitar contaminações

Além do controle do tempo, a forma como os alimentos são organizados na geladeira também influencia diretamente a segurança alimentar. O nutricionista Vagner Junior, da Santa Casa de Bragança Paulista, lembra que as normas sanitárias no Brasil indicam que o refrigerador deve operar a uma temperatura de até 5 °C.

Ele orienta que, caso a geladeira não tenha espaço suficiente para todas as sobras, a melhor alternativa é utilizar outros refrigeradores, como os de familiares ou vizinhos. A disposição correta dos alimentos também é fundamental para evitar a contaminação cruzada: itens crus em processo de descongelamento devem ser mantidos sempre nas prateleiras inferiores, armazenados em recipientes fechados, impedindo que líquidos escorram sobre alimentos já prontos para consumo.

Os legumes crus devem ser armazenados nas gavetas próprias do refrigerador, enquanto os alimentos já preparados precisam ficar bem vedados, de preferência em recipientes de vidro. Segundo o especialista, cada item deve ser mantido separado, devidamente higienizado e acondicionado de forma individual, para reduzir o risco de contaminação.

Entre os deslizes mais frequentes nas festas de fim de ano estão deixar os alimentos fora da refrigeração por longos períodos, armazenar preparações ainda muito quentes, utilizar recipientes abertos ou mal vedados, misturar diferentes pratos no mesmo pote e aquecer a mesma comida repetidas vezes.

Vagner reforça que a orientação correta é retirar apenas a porção que será consumida, evitando reaquecer o restante diversas vezes.

Sinais visuais de que o alimento não está próprio para consumo

Algumas alterações indicam que a comida pode ter estragado, como mudança de cor, com escurecimento ou manchas esverdeadas, acinzentadas ou esbranquiçadas; textura pegajosa ou viscosa; presença de líquido no fundo do recipiente; formação de bolhas ou liberação de gás ao abrir o pote; e surgimento de mofo ou pontos irregulares na superfície.

Para reduzir o desperdício sem colocar a saúde em risco, o especialista recomenda planejar melhor a quantidade de comida preparada, manter a cozinha organizada e separar as áreas de manipulação de carnes, legumes e outros alimentos.

Ele também alerta para a atenção redobrada com os grupos mais vulneráveis. Crianças, idosos e gestantes fazem parte do público que corre maior risco ao consumir alimentos mal armazenados ou manipulados de forma inadequada.

Com medidas simples — como respeitar os prazos de consumo, utilizar embalagens apropriadas, organizar corretamente a geladeira e observar sinais de deterioração — é possível aproveitar as sobras da ceia de Natal com mais segurança, evitando desperdícios e protegendo a saúde de toda a família.

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