Logo R7.com
RecordPlus

Inserção no mercado de trabalho e maior pressão social provocam aumento do número de mulheres com depressão

Na estatística, imagem do homem provedor dá espaço para a da mulher que cuida da família

Saúde|Eugenio Goussinsky, do R7

  • Google News
Mulheres passaram a acumular novas responsabilidades
Mulheres passaram a acumular novas responsabilidades

A depressão é uma doença que ataca mais as mulheres do que os homens, de acordo com as estatísticas. Mas, assim como é tênue o limiar que separa um profundo sentimento de tristeza de uma doença, também a quantidade de homens deprimidos pode ser maior. Afinal, de maneira geral, eles são mais fechados do que elas.

Muitos especialistas dizem que os homens ainda têm medo de dizer que têm medo. E de que se sentem abatidos, confusos...deprimidos. De qualquer maneira, oficialmente, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), para cada homem com depressão, há duas mulheres com essa doença. Segundo estudo do IBGE, de 2014, 10,9% das mulheres e 3,9% dos homens no Brasil tinham depressão.


Para a psiquiatra Evelyn Vinocur, membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria, o estigma do "macho provedor", que pressionava muitos homens e os levava à depressão não é tão forte quanto há algumas décadas. Os padrões culturais mudaram. A mulher se inseriu mais no mercado de trabalho, agora também acumula responsabilidades dentro da vida contemporânea e, com isso, tem tido outros motivos para se deprimir, diferentes dos de antigamente, quando lhe era imposto um papel de maior submissão. Além disso, ela também tem mais espaço para admitir tal problema.

— Mudou muito, hoje há muitas mulheres que moram sozinhas ou responsáveis pela família. Antigamente existia muito essa coisa de o homem sustentar e tudo mais, ele tinha mais este estigma porque era o provedor, se ele não trabalhasse quem iria botar comida em casa? Isso mudou. Hoje em dia a depressão se espalhou mais: homem, mulher, adolescente que não vai para aula e é tachado de burro, fraco, não se interessa, pais estão pagando. O estigma não é mais só do homem.


Saiba como procurar ajuda

Mesmo assim, o preconceito é menor e as possibilidades de tratamento se ampliaram, conforme conta o psiquiatra Bruno Nazar, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e pesquisador do King´s College de Londres. Segundo ele, além dos postos de saúde, há o serviço dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), onde a população pode buscar uma ajuda inicial.


— Lá ela vai ser orientada, se vai para locais como PSF (Programa Saúde da Família), UBS (Unidade Básica de Saúde), de acordo inclusive com a gravidade da situação.

Nazar ressalta que, pela internet, podem ser acessadas informações no site da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) ou no site do Ministério da Saúde, que segundo ele, também tem realizado ações em psiquiatria e saúde mental.


Primo de Freud, o criador da psicanálise, diz: "cada vez se usa mais medicamentos e menos pensamento"

De uma maneira geral, ela ainda afirma nenhuma classe social está mais imune à depressão do que a outra. O perfil de depressão nas classes sociais mais pobres é mais visível devido à dificuldade de tratamento, segundo ele.

— A depressão é algo que pode atingir a população de uma maneira geral, independentemente da classe social. Mas nas camadas menos favorecidas a depressão tem maior risco de ficar recorrente ou crônica, porque há menos acesso a tratamento. Por isso este grupo pode aparecer com um perfil diferente, mais ligado à depressão.

Conheça o R7 Play e assista a todos os programas da Record na íntegra!

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.