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Isolamento do ambiente rural pode levar ao agravamento da asma

Fator emocional, como sentir-se longe do socorro, caso necessite, torna o asmático mais sensível aos alérgenos que causam a crise, segundo médico

Saúde|Do R7

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Estar longe do socorro em um ambiente rural pode influenciar o emocional
Estar longe do socorro em um ambiente rural pode influenciar o emocional

O ambiente rural, com seu ar puro, pode ser benéfico para pessoas que sofrem de asma, mas também pode contribuir para agravar o problema, caso a sensação de isolamento cause ansiedade no paciente.

"A asma é uma inflamação dos brônquios que resulta no estreitamento da passagem do ar pelas vias áreas. A crise é deflagrada por um alérgeno no ambiente, como ácaro e mofo. O fator emocional sozinho dificilmente desencadeia a asma, mas ele modula. Pode tornar a pessoa mais sensível à alergia que ela já tem de exposição ao alérgeno, que leva à crise", explica o pneumologista João Salge do Fleury Medicina e Saúde.


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"Os mecanismos alérgicos são muito bem conhecidos e mapeados. É sabido que a asma é causada a partir de uma substância. Sabe-se todo o caminho que a molécula percorre no organismo e seu efeito para criar a resposta inflamatória. Mas sabe-se também que isso não explica todo o quadro", completa. 


Entre os aspectos não alérgicos que provocam a crise da asma estão fatores climáticos, como baixas temperatura e umidade, agentes infecciosos, como a gripe, refluxo e o aspecto emocional, segundo o médico.

"Isso é claro, por exemplo, no adolescente asmático que em período de prova piora, pois trata-se de uma situação desgastante para ele. Um momento emocional turbulento pode deflagar uma crise grave, que pode se manifestar com mais intensidade. Portanto, sentir-se menos assistido por estar em um ambiente rural isolado pode ser um fator", afirma.


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Ele explica que o acompanhamento da asma com medicamentos de controle pode trazer segurança e fazer com que a pessoa tenha menos medo de ter uma crise ao estar longe do socorro.


Outro aspecto que é preciso levar em conta, quando se vai para um sítio ou fazenda, segundo o pneumologista, é quanto tempo a casa ficou fechada. Itens como cortina e tapetes são retentores de poeira. Roupas de cama que ficaram muito tempo guardadas, também.

"Não adianta só tomar remédio contra a asma, é preciso mudar hábitos. A chamada higiene ambiental é um aspecto muito importante no tratamento. A fronha com umidade, mofo, por exemplo, acaba sendo um risco", diz. "Só o fator emocional sem nada alérgico no ambiente não desencadeia a crise", ressalta.

O pneumologista afirma que a asma já foi mais letal no passado. "Hoje é raro o risco de gravidade. Mas, se é grave, quanto mais tempo protelar o cuidado, mais a situação se complica", acrescenta.

A asma tem outra característica que é a piora à noite. De acordo com Salge, isso ocorre entre 20h e 10h da manhã, em média. Ele explica que nesse período as glândulas suprarrenais produzem menos quantidade dos hormônios cortisol e catecolamina, parecidos com a adrenalina, que são broncodilatadores.

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O Brasil tem 20 milhões de asmáticos, sendo 4% considerados casos mais graves, segundo o Ministério da Saúde. O país registrou em 2017, de acordo com o Datasus, 2.477 mortes decorrentes da doença, sendo quase a metade pessoas acima de 60 anos.

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