Saúde Mais de 130 mil 'Aedes do bem' são soltos em Indaiatuba contra dengue

Mais de 130 mil 'Aedes do bem' são soltos em Indaiatuba contra dengue

A expectativa é que sejam liberados 21 milhões de mosquitos em um ano; os insetos são liberados por técnicos por meio de potes com mil insetos cada

A soltura dos mosquitos foi feita manualmente por agentes da Oxitec

A soltura dos mosquitos foi feita manualmente por agentes da Oxitec

Divulgação

Os chamados Aedes do Bem, Aedes aegypti geneticamente modificados, foram disseminados em seis bairros da cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, nesta quarta-feira (23).

Foram liberados 135 mil mosquitos transgênicos, segundo a empresa de biotecnologia Oxitec, que produz os insetos em laboratório.

Essa será a quantidade diária, três vezes por semana (segundas, quartas e sextas) até o fim das liberações do projeto, que tem a duração total de um ano.

Serão despejados Aedes do Bem em áreas dos bairros Cecap, Jardim Itamaracá, Jardim Moacyr Arruda e Morada do Sol. Outros dois bairros, Jardim Oliveira Camargo e Jardim São Conrado, serão monitorados, para efeitos de comparação, mas não serão tratados com o mosquito geneticamente modificado, sendo usados como áreas controle. 

Indaiatuba é a primeira cidade do país a receber a nova geração do Aedes do Bem. O novo mosquito é do tipo OX5034, uma evolução do inseto já testado e utilizado em Piracicaba (SP) e Juiz de Fora (MG) desde 2015.

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“Enquanto na linhagem OX513A toda a prole é inviável, a linhagem OX5034 é ‘selecionadora de machos’. Em outras palavras, a prole masculina sobrevive e pode copular com fêmeas selvagens e repassar o gene autolimitante, o que estende a duração dos efeitos benéficos do Aedes do Bem por mais algumas gerações”, explica Natalia Verza Ferreira, líder do projeto e gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Oxitec do Brasil.

Segundo ela, a expectativa é que sejam liberados 21,06 milhões de mosquitos em um ano. Os insetos são liberados por técnicos da empresa por meio da abertura de potes com mil mosquitos cada.

Aedes do Bem são mosquitos transgênicos utilizados para combater doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya. Trata-se de insetos machos, portanto, não picam e não transmitem doenças. Uma vez soltos em uma área infestada por mosquitos selvagens, eles buscam as fêmeas para neutralizar a oportunidade de reprodução.

Por serem geneticamente modificados, dispõem de um gene capaz de fazer seus descendentes morrerem antes de atingir a fase adulta.Ao copularem com as fêmeas, tornam a prole inviável. Esse gene faz com que o mosquito produza uma proteína fluorescente, de modo que suas larvas possam ser separadas das larvas selvagens.

Dengue em Indaiatuba

Indaiatuba apresenta um número expressivo de casos de dengue. Neste ano, foram registrados 8 casos autóctones e 1 caso importado residente. No total, houve 42 notificações, sendo que 25 delas foram descartadas e 7 aguardam resultado, de acordo com a prefeitura.

No ano passado, foram 86 casos autóctones, 9 casos importado residente e 2 confirmados não-residentes. No total, foram 216 notificações.

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Não há registros de caso de zika nem de Chikungunya na cidade, ainda de acordo com a prefeitura.

“O monitoramento e, posteriormente, a soltura dos mosquitos pela empresa ocorrerão em áreas muito específicas dentro desses bairros. Desta forma, é importante lembrar que os agentes de controle da dengue continuarão desenvolvendo as atividades para evitar a multiplicação do Aedes aegypti. Continuamos contando com a ajuda da população de Indaiatuba para isso”, afirmou a secretária municipal de Saúde, Graziela Drigo Bossolan Garcia, por meio de comunicado.

Segundo a prefeitura, a pareceria entre a Oxitec e a prefeitura não representou nenhum custo para a cidade.

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