Saúde Martinho da Vila revela detalhes de luta contra câncer de próstata: "Assustar-se não adianta nada"

Martinho da Vila revela detalhes de luta contra câncer de próstata: "Assustar-se não adianta nada"

Diagnóstico precoce e seu olhar positivo sobre a vida foram fundamentais para recuperação

Martinho da Vila revela detalhes de luta contra câncer de próstata: "Assustar-se não adianta nada"

Martinho da Vila realizou o exame de PSA no momento certo

Martinho da Vila realizou o exame de PSA no momento certo

Reprodução/Facebook

Sambista eclético, Martinho da Vila é puro jogo de cintura para se adaptar a vários ritmos, desde que surgiu para o público em 1967. Com fala mansa. Em tom baixo. Sempre sorridente, estilo bonachão. Não fosse essa alma de artista, que olha o sonho sem desviar a atenção da realidade, ele poderia ter mais dificuldade de vencer um câncer de próstata, detectado em 2008, aos 70 anos. 

— Fiquei sabendo que tinha câncer quando fiz o exame de PSA. Estava um pouco baixo, ainda não na linha do perigo, mas o médico achou melhor fazer a biópsia. E o resultado apontou para a doença em estágio inicial.

Bom malandro é aquele que também se preocupa com sua saúde. E, como a idade havia chegado, ele revela em entrevista ao R7 que resolveu fazer o PSA por conta própria. Queria se manter inteiro para continuar a sentir o clima boêmio de Vila Isabel, seu reduto, na batida ritmada das rodas de samba, nas parcerias cantadas para exaltar a negritude e o rebolado da vida. Ele mesmo diz: quem é do mar não enjoa.

— Quando o médico me deu a notícia, logo perguntei o que deveria ser feito. Ele me deu opção de três tratamentos, um deles a cirurgia, dizendo ser o mais aconselhável. Então optei pela cirurgia e hoje estou plenamente recuperado.

Falando sobre a doença, Martinho transparece o segredo de seu sucesso, no jeito sereno de encarar os problemas, com a experiência de um ex-sargento que virou poeta. Ao estilo Zeca Pagodinho, ele já passou por quase tudo nessa vida...

— Eu não me assusto nunca. O homem que recebe essa notícia não tem de se assustar. Se assustar não adianta nada. Tem que fazer o que é preciso para se recuperar. Digo que é como se fosse uma vasectomia, você não pode mais ter filhos. Então, antes de entrar na mesa de cirurgia, sugiro que o homem que deseja ter mais herdeiros utilize um banco de esperma.

E como será que Martinho da Vila agiu em relação à sua ansiedade? Do mesmo jeito com que se recuperou dos amores perdidos.

— A fé, não digo no sentido religioso, mas uma fé no sentido positivista, um otimismo, é fundamental. Isso me ajudou e é importante para todo mundo. Se a pessoa encarar dessa maneira, ela vai se recuperar.

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Vida de samba

Aos 77 anos, o cantor tem oito filhos e é casado com Clediomar desde 1993. Ele evita cobrar seus amigos que estão perto dos 50 em relação aos exames. Mas quando surge a chance, dá o seu recado.

— Não fico perguntando aos meus amigos sobre isso. Mas no momento que surge o assunto, digo que todos devem fazer os exames de diagnóstico, porque às vezes acontece de existir a doença.

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Martinho nasceu em Duas Barras (RJ), veio para o Rio com quatro anos. Criou diversos enredos da Unidos da Vila Isabel, muitos deles vitoriosos no Carnaval. Poderia então fazer um samba contando toda a saga de seu câncer. Mas, com a brandura de sempre, diz que não.

A única inspiração dessa doença foi o desejo de vencê-la. De resto, ele sempre cantou sobre a sua vida nas letras que compôs, em uma carreira de quase 50 anos. Canta Canta, Minha Gente poderia muito bem homenagear a sua cura. Canta canta, minha gente, deixa a tristeza pra lá...Rindo, ele concorda:

— Se encaixa bonitinho a essa situação.

Os seguidores de Martinho são muitos, bem anteriores ao tempo do Twitter. Era tão curtido que inspirou gerações com o mesmo timbre grave e suave: Agepê, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho...Além de todos os seus admiradores. Agora, os que buscam prevenir e superar o câncer também podem se juntar a essa legião.