Saúde Método de emagrecimento utilizado por Kim Kardashian não é considerado saudável; entenda

Método de emagrecimento utilizado por Kim Kardashian não é considerado saudável; entenda

A empresária e influenciadora americana revelou ter perdido 7 kg em três semanas para usar um vestido no Met Gala

  • Saúde | Hysa Conrado, do R7

Kim Kardashian no tapete vermelho do Met Gala

Kim Kardashian no tapete vermelho do Met Gala

ANGELA WEISS / AFP

Perder 7 kg em três semanas, como fez Kim Kardashian, pode parecer uma ideia tentadora para quem está tentando reduzir algumas medidas. Mas, mesmo que o resultado estético pareça positivo, os prejuízos para a saúde podem pesar na balança, principalmente se o método de emagrecimento envolver restrições alimentares severas.

Para ir ao Met Gala com um dos vestidos de Marilyn Monroe, a empresária e influenciadora americana revelou ter ficado sem comer carboidratos e açúcares, além de ter praticado corridas na esteira e usado um traje de sauna para aumentar a transpiração.

O que explica a rápida perda de peso, segundo Angelica Grecco, nutricionista do Instituto EndoVitta, é que, em conjunto com a restrição na dieta, provavelmente Kim passou por um processo de desidratação, no qual perdeu mais massa muscular do que gordura, algo que não é considerado saudável.

“Na verdade ela desinchou. Uma molécula de carboidrato retém quatro moléculas de água; então, ao retirar o carboidrato [e usar o traje de sauna], ela acabou se desidratando, e claro que isso vai repercutir de forma mais rápida na balança. Não é possível dizer que ela perdeu o peso em gordura; nesse resultado muito rápido normalmente vai ter mais perda de massa muscular e desidratação do que efetivamente uma perda de peso saudável”, afirma a especialista.

Após revelar como conseguiu perder os quilos, Kim foi alvo de uma série de críticas na internet, sobretudo relacionadas ao incentivo para a busca por um corpo perfeito e os efeitos nocivos disso, como o desenvolvimento de transtornos alimentares.

Nesse sentido, a nutricionista ressalta que, em regra, dietas muito restritivas acabam acompanhadas de episódios de compulsão alimentar tardia, comportamento já observado por estudos científicos.

“Aumenta muito a incidência de distúrbios como anorexia e bulimia, a pessoa acaba tendo a prática de comer em grandes volumes e depois adotar técnicas purgativas, como o vômito e o uso excessivo de laxantes. Então a dieta restritiva acaba resultando naquele desespero psicológico de comer tudo e perder o controle da situação”, afirma Angelica.

Após o Met Gala, Kim revelou ter feito uma festa de rosquinha e pizzas, comendo o que não pôde durante o período de preparação para caber no vestido. Nesse cenário, o efeito rebote acaba aparecendo como uma constante, já que as compulsões podem causar o retorno dos quilos perdidos, e provocando um círculo vicioso de perda e ganho de peso.

"Do mesmo jeito que perdeu sete quilos em três semanas, ela ganha três quilos em quatro dias, e aí esse ganho é de gordura, não de massa magra. Quando o paciente vai fazer uma dieta líquida para uma cirurgia bariátrica, por exemplo, sempre reforçamos que a reintrodução da alimentação seja de forma gradativa para o paciente não sofrer esses distúrbios metabólicos e psicológicos”, destaca a nutricionista.

Além disso, as grandes restrições alimentares podem ter efeitos metabólicos e fisiológicos, como reduzir o metabolismo, causar deficiências nutricionais e levar a uma queda de imunidade. Por esse motivo, quando há necessidade de passar por uma dieta restritiva, os pacientes podem receber suplementação vitamínica e de imunomoduladores, assim como assistência psicológica para evitar possíveis danos à saúde mental.

“O grande ponto é não fazer loucura [em dietas]; tudo o que tentamos restringir demais, depois acabamos não dando conta. O método mais correto é ter o equilíbrio nutricional. Se a pessoa ficar três meses sem comer pizza, quando ela for comer, vai querer uma pizza inteira”, destaca a nutricionista.

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