Saúde Ministério: 20 milhões de jovens devem se vacinar contra o HPV

Ministério: 20 milhões de jovens devem se vacinar contra o HPV

Governo lança campanha publicitária para estimular adolescentes a se imunizarem; vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS o ano todo

Ministério: mais de 20 milhões de jovens devem se vacinar contra o HPV

Meninas entre 9 e 14 anos devem receber a vacina, composta de duas doses

Meninas entre 9 e 14 anos devem receber a vacina, composta de duas doses

Divulgação/Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (4) que mais de 20 milhões de adolescentes precisam se vacinar contra o Papilomavírus Humano (HPV), que protege contra diversos tipos de câncer, como de colo de útero e de pênis. A vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS.

A vacina utilizada no país previne contra 4 tipos de HPV, o que representa proteção contra 70% dos cânceres do colo útero, 90% do câncer anal, 63% de câncer de pênis, 70% dos cânceres de vagina, 72% dos cânceres de orofaringe e 90% das verrugas genitais, segundo o Ministério.

Trata-se de uma convocação do Ministério da Saúde, que será ressaltada por meio de propaganda publicitária, e não de uma campanha de vacinação, como a do sarampo e da poliomielite.

“A campanha publicitária é importante para lembrar sobre a necessidade da vacinação, esclarecendo o que é mito e boato”, afirmou Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, por meio de nota.

Com isso, a expectativa é que 9,7 milhões de meninas de 9 a 14 anos e 10,8 milhões de meninos de 11 a 14 anos, público-alvo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), se imunizem.

Saiba mais: Por que vacinação de adolescentes contra vírus de transmissão sexual que causa câncer não avança no Brasil

A vacina contra o HPV faz parte do calendário nacional de vacinação e, portanto, está disponível durante o ano inteiro nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Vacina é composta de duas doses

O Ministério preconiza duas doses da vacina, sendo que a segunda deve ser realizada seis meses após a primeira aplicação. “É importante alertar que a cobertura vacinal só está completa com as duas doses, por isso quem tomou a primeira dose deve voltar aos postos após seis meses”, afirmou a coordenadora do PNI.

Vale ressaltar que o esquema de 3 doses (0, 2 e 6 meses) permanece para todas as meninas e mulheres de 9 a 26 anos vivendo com HIV, segundo o Ministério.

Desde que o Brasil fez a primeira campanha nacional de vacinação contra o HPV, há cinco anos, 63,4% das meninas foram imunizadas com a primeira dose e 41,8% com a segunda.

Entre os meninos, que foram incluídos na vacinação contra HPV no ano passado, 2,6 milhões foram vacinados com a primeira dose, o que representa 35,7% do público-alvo. Em relação à segunda dose, foram aplicadas 911 mil vacinas em meninos de 11 a 14 anos.

O HPV é responsável por 99% dos casos câncer de colo de útero. O câncer de colo de útero é o terceiro mais frequente em mulheres e o quarto que mais mata no Brasil. tE pode ser prevenido com a vacina.

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A prevalência estimada do HPV no Brasil é de 54,3 %, de acordo com um estudo realizado pelo projeto POP-Brasil em 2017. A pesquisa, feita com 7.586 pessoas nas capitais do país, revelou que 37,6 % dos participantes apresentavam HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

O estudo ainda mostrou que 16,1% dos jovens têm uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) prévia ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis.

O Ministério afirma que estudos internacionais apontam o impacto da vacinação na redução do HPV. Nos Estados Unidos, dados mostram uma diminuição de 88% nas taxas de infeção oral por HPV.

Na Austrália, houve redução da prevalência de HPV de 22,7% (2005) para 1,5% (2015) entre mulheres de 18 a 24 anos. Outro estudo realizado com homens de 18 a 70 anos nos Estados Unidos, México e Brasil, ainda segundo a pasta, mostra que brasileiros (72%) têm mais infecção por HPV do que mexicanos (62%) e norte-americanos (61%).

O Brasil é o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina contra o HPV para meninos em programas nacionais de imunizações. O Ministério informa que a vacina é segura e não aumenta o risco de eventos adversos graves.