Saúde Mulheres e reinfectados têm maior risco de desenvolver Covid longa

Mulheres e reinfectados têm maior risco de desenvolver Covid longa

Falta da 4ª dose da vacina também aumenta as chances de ter um caso mais grave e sintomas persistentes, alertam pesquisadores 

Agência Estado

Resumindo a Notícia

  • Estudo brasileiro revela relação entre gênero, reinfecção e vacina com casos graves de Covid
  • A Covid longa, com sintomas persistentes, afeta mais mulheres e quem já teve a doença antes
  • Não ter tomado a 4ª dose da vacina contra o coronavirus aumenta o risco de ter Covid longa
  • A pesquisa foi realizada com 7.000 profissionais de saúde, infectados entre 2020 e 2022
Ter o esquema vacinal completo diminui as chances de ter doença grave

Ter o esquema vacinal completo diminui as chances de ter doença grave

Stephane Mahe/Reuters - 03.06.21

Ter sido infectado duas ou mais vezes pelo coronavírus e não ter tomado a quarta dose da vacina contra a doença aumentam o risco de Covid longa, aponta estudo feito pelo ITpS (Instituto Todos pela Saúde) e pelo Hospital Israelita Albert Einstein, divulgado nesta sexta-feira (6). A pesquisa mostra, ainda, que as mulheres são mais afetadas pelos sintomas persistentes, embora a causa desse fenômeno ainda não esteja clara.

Os resultados foram publicados em artigo em formato pré-print na plataforma medRxiv e ainda passará pela revisão de outros pesquisadores. O estudo foi realizado com base na análise de dados de mais de 7.000 profissionais de saúde do hospital, que foram infectados pelo SARS-CoV-2 entre 2020 e 2022. Desse total, 1.933 (27,4%) manifestaram a Covid longa, ante 5.118 (72,6%) que não apresentaram essa condição.

Segundo Vanderson Sampaio, pesquisador do ITpS e um dos autores do artigo, a definição de Covid longa usada no estudo foi a mesma usada pelo CDC (Centro de Controle de Doenças) dos Estados Unidos: "São pessoas com infecção prévia pelo coronavírus, que continuam com sintomas da doença por mais de quatro semanas. Entre os sintomas estão febre, congestão nasal, cansaço, fadiga, dor de cabeça, tosse e dificuldades para respirar, entre outros", explica.

Mais da metade (51,4%) dos participantes do estudo que manifestaram Covid longa tiveram três ou mais sintomas persistentes. Outros 33,3% tiveram apenas um sintoma e 14,9% manifestaram dois. Os sintomas mais comuns foram dor de cabeça (53,4%), dores musculares ou nas articulações (46,6%) e congestão nasal (45,1%).

Sintomas persistentes

De acordo com o ITpS, o estudo mostrou que a reinfecção aumentou em 27% a chance de sintomas persistentes. Entre os participantes da pesquisa que tiveram apenas uma infecção confirmada, o índice de Covid longa ficou em 25,8%. Já entre os que passaram por duas ou mais infecções, a taxa foi de 38,9%.

"Esse foi o resultado mais impactante, porque mostra que as pessoas não podem ter aquele pensamento de que, se pegaram o vírus uma vez, já têm imunidade e estão livres para abandonar as medidas de proteção. Uma nova infecção pelo vírus aumenta as reações inflamatórias do corpo, eleva o risco de um caso grave e, por consequência, da covid longa", afirma Sampaio.

Alexandre Marra, pesquisador do Einstein e primeiro autor do estudo, diz que, além de aumentar o risco de Covid longa, a reinfecção pode acontecer inclusive em pessoas que não tiveram a forma grave da doença. "Até um assintomático pode ter Covid longa. Então, as pessoas têm que continuar se protegendo e se vacinando, e não acharem que, se você pegar a doença uma segunda vez, vai ser mais leve", afirma.

Esquema vacinal

A pesquisa brasileira indica que o esquema vacinal com somente quatro doses se mostrou capaz de proteger contra os sintomas persistentes: a quarta dose reduziu em 95% as chances de desenvolver a Covid longa, em relação ao grupo não vacinado.

As pessoas não podem ter aquele pensamento de que, se pegaram o vírus uma vez, já têm imunidade e estão livres para abandonar as medidas de proteção. Uma nova infecção pelo vírus aumenta as reações inflamatórias do corpo, eleva o risco de um caso grave e, por consequência, da Covid longa

Vanderson Sampaio, pesquisador do ITpS

De acordo com os dados do estudo, entre os participantes que não receberam nenhuma dose da vacina antes da infecção, o índice de ocorrência de Covid longa foi de 36,7%. Entre os que tomaram as duas doses regulares, a taxa caiu para 29%. No grupo que já tinha tomado três doses, foi de 15,5% e, naquele com o esquema vacinal completo, de quatro doses, somente 1,5% desenvolveu os sintomas persistentes.

Segundo Sampaio, os números mostram que a proteção contra casos graves e Covid longa aumenta a cada dose tomada, e ressalta que a quarta aplicação é fundamental para garantir a proteção contra o agravamento da doença e contra os quadros com sintomas prolongados. Ele afirma que os estudos ainda não são conclusivos sobre o tamanho da proteção dada pela terceira dose contra a Covid longa e, por isso, a recomendação principal agora é buscar ter o esquema completo.

De acordo com dados do consórcio de veículos de imprensa, menos de 20% da população brasileira já tomou a quarta dose até o momento.

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