Nipah: ‘Risco de uma pandemia neste momento é muito pequeno’, diz infectologista
Cerca de cem pessoas foram colocadas em quarentena na Índia após diagnóstico de vírus que possui uma taxa de mortalidade de 75%
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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Cerca de cem pessoas foram colocadas em quarentena na Índia, no estado de Bengala Ocidental, por conta de um vírus registrado na região, o Nipah, que ainda não possui vacina ou tratamento específico e possui uma taxa de mortalidade de 75%. Para entender melhor o novo patógeno, o Hora News desta terça (27) entrevistou a doutora Mirian Dal Ben, médica infectologista do Sírio Libanês.
Logo de início, a profissional tranquiliza o público: “Sei que tem o trauma da Covid-19, mas acho que o risco de ter uma pandemia neste momento é muito pequeno. O Nipah não é um vírus novo, ele é conhecido desde 1999, quando houve um surto na Malásia”. Ela aponta que o patógeno já consta na lista de observação da OMS (Organização Mundial de Saúde), que o mantém sob investigação para controlar o número de casos, tanto é que não havia nenhum paciente diagnosticado com a doença na Bengala Ocidental nos últimos 20 anos.

Mirian aponta que, em casos sérios, o vírus pode causar infecções no sistema nervoso central e no cérebro, o que pode levar à morte ou deixar sequelas. O início dos surtos está ligado à ingestão de alimentos contaminados e a partir de então ocorre uma transmissão entre os seres humanos. “Mas a gente nunca teve uma transmissão sustentada que saiu desses pequenos surtos restritos a algumas regiões”, esclarece.
A infectologista confirma que o contágio por animais, como porcos, ovelhas e morcegos, também pode acontecer, devido à ingestão de frutas infectadas. “O consumo da carne desse morcego e o consumo de frutas contaminadas com saliva e urina desses morcegos já foram também documentados em alguns trabalhos como fonte de infecção pelo vírus Nipah. Quando eles descobriram o vírus lá em 99, ele esteve relacionado à transmissão do vírus por porcos para seres humanos”.
Ao ser questionada sobre o principal método de transmissão entre humanos, a infectologista declara que o contato com secreções de pacientes, como a saliva, sem tomar os devidos cuidados, como higienização de objetos e partes do corpo e o uso de máscara pode levar ao contágio. Ainda assim, ela deixa claro que o vírus é menos infeccioso que o coronavírus. “A Covid pode ser transmitida por aerossóis, que são partículas bem pequenininhas que transmitimos no ar quando falamos, tossimos, espirramos. Depois elas ficam suspensas no ar durante um tempo”.
Uma vez infectada, a vítima pode ser assintomática ou apresentar vômitos, dor de cabeça, febre, convulsões e encefalite. Segundo a especialista, o vírus se multiplica rapidamente no corpo. Ela aborda a taxa de mortalidade: “De dez pessoas infectadas, quatro a sete evoluem a óbito, mas é óbvio que, assim como na época do coronavírus, fazemos o diagnóstico somente dos quadros mais graves que vão para o hospital”.
Por enquanto, o tratamento ainda é o suporte clínico, por meio de aparelhos e medicamentos. Ainda não há estudos para uma vacina em fase avançada. Entretanto, Mirian acredita que pelo fato do patógeno constar na lista da OMS, será apenas questão de tempo até uma cura ser desenvolvida.
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