No Dia Mundial de Combate à Hepatite, saiba qual é a mais letal

Hepatite A, B e C são causadas por diferentes tipos de vírus, sendo assim, cada uma tem uma forma distinta de contaminação, evolução e tratamento

No Dia Mundial de Combate à Hepatite, saiba qual é a mais letal

A hepatite A é a mais prevalente no Brasil, mas a hepatite C é a mais letal

A hepatite A é a mais prevalente no Brasil, mas a hepatite C é a mais letal

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De acordo com especialistas, a hepatite A é a mais prevalente no Brasil. E isso está diretamente ligado às condições sanitárias das cidades.

De acordo com o Instituto Trata Brasil, 4 milhões de brasileiros não têm acesso a banheiro e menos da metade da população do país (48,6%) vive em uma rua sem saneamento básico, portanto, não têm acesso à coleta de esgoto.

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A relação entre a  prevalência da hepatite A e a falta de saneamento básico é simples. A transmissão da doença acontece pela água suja contaminada, mais especificamente, pela água que foi contaminada ao ter contato com fezes.

De acordo com o infectologista Mario Gonzales, da Sociedade Paulista de Infectologia, o vírus da hepatite A fica nas fezes, mas a contaminação se dá pela ingestão de água. “Então, as fezes de uma pessoa doente podem contaminar a água que vai ser consumida e vai acabar infectando outra pessoa que estava saudável”, explica.

O contágio depende mais das condições sanitárias do local do que da quantidade de água ingerida. O infectologista Alberto Chebabo, da Sociedade de infectologia do Rio de Janeiro, explica que até mesmo durante um mergulho em um rio ou lago infectado pode acontecer de uma pessoa engolir água contaminada e acabar sendo infectada pelo vírus da hepatite A.

Essa facilidade de contágio está fazendo o número de casos da doença subir em todo o Brasil, principalmente nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, que enfrentam surto desde o ano passado.

Segundo dados da Secretaria de Saúde de São Paulo, em 2017, foram notificados 911 casos de hepatite A em todo o Estado, destes, 694 foram registrados na capital.

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Embora menos comum, a hepatite A também pode ser transmitia por relação sexual, principalmente entre homens. Em geral, a hepatite A é benigna, mas em alguns casos, pode evoluir para uma hepatite fulminante, que causa falência do fígado e pode levar à morte.

“Mas são casos raros. No geral, o próprio organismo elimina o vírus em cerca de 30 dias. O tratamento é apenas para aliviar sintomas como febre, dores musculares, cansaço, náuseas e vômito”, explica Gonzales.

A hepatite A pode ser evitada por vacina, que não tem contraindicação. As doses estão disponíveis no Sistema Único de Saúde em todo o Brasil para crianças entre 15 meses e 5 anos incompletos. No Estado de São Paulo, homens que fazem sexo com homens também podem tomar a vacina de graça no SUS. A vacina também pode ser encontrada nas clínicas particulares.

Hepatite B é sexualmente transmissível

Cada tipo de hepatite é causado por um tipo de vírus, sendo assim, cada uma tem uma forma diferente de contaminação, evolução e tratamento.

A transmissão da hepatite B não acontece pela ingestão, mas pelas mucosas, por relação sexual ou pelo sangue. Isso porque o vírus fica no sangue, na saliva, no sêmen e nas secreções vaginais. 

Como o vírus pode permanecer por um longo período fora do organismo, é comum que o contágio aconteça por meio de “instrumentos perfurocortantes” como alicates de unha e agulhas não esterilizadas.

A transmissão também pode acontecer de mãe para filho, tanto durante a gravidez, quanto durante o parto ou a amamentação. A hepatite B pode se manifestar no organismo de diferentes formas: aguda, crônica ou fulminante. A forma crônica não tem cura, mas o tratamento pode ajudar a controlar a doença.

A doença pode ser evitada por vacina, que está disponível na rede pública para crianças e adultos de todas as idades.

Hepatite C é a mais letal

Embora a hepatite A seja a que contamina um número maior de pessoas, é a hepatite C a responsável pelo maior número de mortes. De acordo com o Ministério da Saúde, ente 2000 e 2015, mais de 46 mil pessoas morreram por causa da doença.

O contágio acontece, principalmente, por meio de sangue contaminado. Portanto, também pode ser transmitida por objetos perfurocortantes como alicates de unha, seringas e agulhas.

“Atualmente o contágio por transfusão de sangue é raro. Isso era mais comum até o início da década de 1990, quando ainda não se faziam testagens para hepatite B e outras doenças no sangue doado, antes de ficar disponível para uso nos bancos de sangue”, explica Chebabo.

Assim como a hepatite B, a C também pode se manifestar de forma crônica e, em muitos casos, não apresenta sintomas. O paciente descobre que está com a doença quando começam a aparecer as complicações, quando o fígado começa a ficar comprometido por causa da cirrose ou do câncer de fígado.

Se descoberta antes disso, a hepatite C tem cura. “Há três anos, os tratamentos causavam fortes efeitos colaterais, mas com a evolução dos medicamentos, hoje é possível tratar a doença com qualidade de vida”, explica o infectologista Mario Gonzales.

Quando a doença chega em uma fase mais avançada, terminal, a possibilidade de cura é o transplante de fígado, que também pode ser usado para tratar a hepatite A ou a B que evoluam para a forma fulminante.

Não existe vacina capaz de proteger o organismo contra a hepatite C.

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