Saúde Problema no coração de Mick Jagger está ligado ao envelhecimento

Problema no coração de Mick Jagger está ligado ao envelhecimento

Líder dos Rolling Stones de 75 anos será operado nesta semana devido à calcificação em válvula; cirurgia oferece alta em 2 dias e baixo risco de morte

  • Saúde | Deborah Giannini, do R7

O cantor Mick Jagger, 75, está com calcificação em válvula do coração

O cantor Mick Jagger, 75, está com calcificação em válvula do coração

Jose Sena Goulão/EPA/EFE - 29.05.2014

O problema no coração do cantor Mick Jagger, 75, está ligado ao envelhecimento. A estenose aórtica, endurecimento de uma válvula do coração, que o levará a uma cirurgia esta semana, é comum após os 75 anos, de acordo com o cardiologista Diego Gaia, chefe da disciplina de cirurgia cardiovascular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Ele explica que cerca de 4% da população acima dessa idade tem a doença, o que equivale a 300 mil pessoas no Brasil. A estenose afeta igualmente homens e mulheres, mas, segundo ele, é mais vista em mulheres, já que são mais longevas.

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“A aórtica é a válvula de saída do coração. Ela funciona como uma porta que precisa abrir para o sangue sair e fechar para o sangue não voltar ao coração. Com o problema, ela fica como uma porta emperrada, começa a apresentar dificuldade para abrir. Ao longo dos anos, chega um ponto em que ela não abre mais, fica com fresta pequena, e coração tem que fazer muita força para bombear o sangue”, explica o médico, que também é coordenador do setor de cirurgia minimamente invasiva e válvulas transcateter da Escola Paulista de Medicina, em São Paulo.

A notícia de que o líder dos Rolling Stones passará por uma cirurgia para a troca da válvula foi divulgada logo após a banda britânica anunciar o adiamento da turnê pela América do Norte, que começaria no dia 20.

Doença pode causar morte súbita

Segundo o cardiologista, trata-se de uma doença grave. “Quando o indivíduo não opera, o risco de morrer disso é muito grande. Metade das pessoas que não operam morrem dentro de um ano”, diz.

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A estenose aórtica provoca morte por insuficiência cardíaca ou por desencadeamento de arritmia cardíaca. “Normalmente é morte súbita”, completa.

O problema não costuma produzir sintomas. Quando aparecessem, são dor no peito, falta de ar e cansaço. É detectado durante check up por meio do exame de ecocardiograma.

O médico explica que, até alguns anos atrás, a única opção para tratar a estenose aórtica era a cirurgia aberta, na qual era preciso abrir o peito e parar o coração para realizar a troca da válvula. Mas, atualmente, a técnica adotada é o TAVI (implante percutâneo valvar aórtico), realizado sem a necessidade de corte e interrupção do coração.

Em vez da troca da válvula, uma nova válvula é colocada dentro daquela que está calcificada por meio de um cateter, do tamanho de uma caneta, introduzido pela artéria da perna, assim como no cateterismo cardíaco.

Segundo Gaia, a válvula é feita de dois materiais: liga metálica e folheto de pericárdio bovino, um tecido biológico.

“É um procedimento mais simples do que a cirurgia convencional e de menor risco. Enquanto na cirurgia aberta o paciente fica internado uma semana e volta às atividades habituais em até dois meses, neste procedimento, ele tem alta em 48 horas e volta às atividades em uma semana. Ele sai do hospital andando, sem nenhuma cicatriz”, afirma.

Técnica oferece menos risco que cirurgia aberta

A técnica foi desenvolvida para atender a pacientes que não podiam fazer a cirurgia convencional. O primeiro procedimento no mundo foi realizado em 2002, na França. No Brasil, teve início cinco anos depois, pela Escola Paulista de Medicina, segundo o cardiologista.

“É relativamente nova. Hoje, o TAVI é a opção tanto para indivíduos com risco para cirurgia aberta quanto para aqueles com menor risco, pois estudos demonstraram que é mais segura nos dois casos”.

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Um dos fatores que tornam os riscos de morte do TAVI menores que o da cirurgia aberta é a possiblidade de não utilizar anestesia geral, e sim apenas anestesia local, na perna, além de sedativo. “No TAVI, existem as duas possibilidades: uso de anestesia geral ou local, dependendo do paciente”, afirma.

Procedimento não é oferecido pelo SUS

O TAVI não é a cirurgia cardíaca mais comum – a mais comum é ponte de safena, segundo Gaia. Mas ele está se tornando cada vez mais frequente.

“A grande limitação no momento é que essa prótese é cerca de cinco vezes mais cara do que a utilizada na cirurgia convencional”, diz.

“Nos países em que há mais acesso a recursos, por exemplo, na Alemanha, mais da metade de válvulas no coração são feitas por cateterismo. No Brasil, seria somente em torno de 3%, está restrito aos grandes centros”, completa. 

O TAVI custa em média R$ 80 mil e ainda não é oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

O cardiologista ressalta que não há como prevenir o problema. “Não há nada que possa ser feito para impedir a calcificação da válvula do coração. Nenhum remédio consegue dissolvê-la ou revertê-la. Só a cirurgia é capaz de tratar o problema”, diz.

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