'Quem será o fiador das mortes?', questiona Doria sobre coronavírus
Governador de SP criticou campanha do governo federal, 'O Brasil não pode parar', que defende a tese do isolamento vertical durante a pandemia
Saúde|Ricardo Pedro Cruz, do R7

João Doria, governador de São Paulo, questionou 'quem será o fiador das mortes no Brasil' provocadas pela pandemia de coronavírus. A declaração foi dada durante entrevista coletiva, nesta sexta-feira (27), em visita às obras de instalação do hospital de campanha para pacientes da covid-19, no Estádio do Pacaembu, na capital paulista.
O chefe do Executivo paulista criticou a campanha do governo federal, intitulada "O Brasil não pode parar", que defende a tese do isolamento vertical — contrariando recomendações de autoridades de saúde como, por exemplo, a OMS (Organização Mundial da Saúde).
Doria ressaltou a necessidade de um discurso único durante a crise sanitária e, ainda, citou o decreto de calamidade pública assinado por Jair Bolsonaro, que, segundo ele, reconheceria a relevância da quarentena.
"Há um documento oficial defendendo o isolamento social. Aí hoje nós tomamos conhecimento de uma campanha pedindo o fim disso. Afinal, nós temos quantos governos?', questionou.
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O governador defendeu que o valor gasto com a campanha, cerca de R$ 4,8 milhões, "deveria ser utilizado na compra de equipamentos de saúde e na comunicação correta aos brasileiros" durante a epidemia que atinge diversos países no mundo.
Casos de covid-19 em São Paulo
José Henrique Germann, secretário de Estado da Saúde, anunciou um crescimento de 14% no número de casos confirmados em São Paulo, de 1.025 para 1.223, entre quinta-feira (26) e hoje. Segundo o secretário, 70 dessas pessoas estão internadas em UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) em estado grave.
O número de óbitos cresceu 209% em apenas cinco dias, de acordo com balanço da secretaria. No domingo (22), o Estado contabilizava 22 mortes, contra 68, nesta sexta-feira (27). Há uma expansão dos casos para a Grande São Paulo e no interior.
Germann ainda defendeu a manutenção da atual política de isolamento social. Para o secretário, a medida já vem se mostrando eficaz para diminuir a curva de transmissão do vírus no território paulista — que registra o maior número de infectados no país.
Doria aproveitou o encontro com a imprensa para anuncar que o ex-diretor de imunização e doenças transmissíveis do Ministério da Saúde, o infectologista Júlio Croda, passará a integrar a equipe de combate ao coronavírus do governo de São Paulo.
Em março, hospitais de campanha foram instalados em São Paulo para ajudar a não sobrecarregar os sistemas de saúde públicos e privados. Na segunda-feira (29), os últimos pacientes internados no Pacaembu foram liberados
Em março, hospitais de campanha foram instalados em São Paulo para ajudar a não sobrecarregar os sistemas de saúde públicos e privados. Na segunda-feira (29), os últimos pacientes internados no Pacaembu foram liberados






















