‘Remédio sozinho não ajuda’, diz endocrinologista sobre uso de canetas emagrecedoras
Novas diretrizes destacam a inclusão desse tipo de medicamento para o tratamento contra a obesidade
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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A Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) divulgou um documento inédito com novas diretrizes sobre o tratamento para obesidade no Brasil. A publicação destaca a inclusão de medicamentos administrados por meio de canetas como uma inovação na abordagem terapêutica.
Em entrevista ao Jornal da Record News desta quarta-feira (2), o médico Alexandre Hohl, diretor da associação e professor de endocrinologia e metabologia na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), explica que os novos fármacos surgiram nos últimos dez anos e têm transformado o cuidado com pacientes obesos.

As novas diretrizes reforçam que a prescrição desse tipo de medicamento deve fazer parte de uma estratégia envolvendo alimentação equilibrada e atividade física regular. “A gente não gosta muito da palavra caneta emagrecedora porque parece que é a caneta que faz a situação. Não, é o medicamento que está incluído lá dentro”, pondera.
Hohl também alerta sobre os riscos associados à popularização indiscriminada das canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico adequado. Segundo ele, a medicação deve ser prescrita por um profissional de saúde especializado, considerando a necessidade de cada paciente.
“Não tem que ser o acesso popularizado, tem que ser para quem precisa dentro de uma estratégia de tratamento e acompanhamento. Remédio sozinho não ajuda para nada”, afirma o endocrinologista.
Sobre a possível incorporação desses fármacos ao SUS (Sistema Único de Saúde), o médico ressalta que os desafios vão além dos altos custos envolvidos: “A gente sabe que a incorporação disso é cara, mas a gente está preocupado com os pacientes, com as pessoas doentes. [...] Nada disso é factível sem estratégias de linhas de cuidado. Se a gente falou que o remédio sozinho não é a solução, não adianta vir prefeito e governador, ou seja lá quem for, dizendo que vai comprar”, frisa.
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O especialista também destaca a preocupação com os índices elevados de obesidade no Brasil. Dados indicam que mais de 31% dos brasileiros estão acima do peso; entre crianças e adolescentes, esse número ultrapassa 16 milhões.
“Nós estamos falando que parte da população global tem sobrepeso e obesidade por múltiplos fatores. A gente vive num ambiente obesogênico. Tudo facilita o ganho de peso. É o elevador, é o carro automático, cada vez se faz menos atividade física, cada vez a gente tem acesso a alimentos que têm um valor tradicional questionável”, completa Hohl.
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