Saúde Retirada de tumor no cérebro devolve vida normal a jovem que teve epilepsia por quatro anos

Retirada de tumor no cérebro devolve vida normal a jovem que teve epilepsia por quatro anos

Médicos do plano de saúde disseram que cirurgia não valeria a pena, mas mãe de Brenno Marty conseguiu procedimento pelo SUS

  • Saúde | Yasmim Santos*, do R7

Resumindo a Notícia

  • Brenno Marty, de 20 anos, foi diagnosticado com epilepsia em 2018
  • Desde os 16 anos o jovem tinha convulsões desencadeadas por um pequeno tumor no cérebro
  • Cirurgia realizada pelo SUS eliminou as convulsões de Brenno
  • Jovem diz que o procedimento foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida
Procedimento foi realizado no Hospital Universitário Cajuru, de Curitiba, neste ano

Procedimento foi realizado no Hospital Universitário Cajuru, de Curitiba, neste ano

Arquivo pessoal

Brenno Marty, de 20 anos, foi diagnosticado com epilepsia aos 16 anos. O jovem viveu a adolescência, tida por muitos como a fase de descobertas e criação de novas habilidades, confinado em inseguranças e medos desencadeados por um dos principais sintomas da condição, as convulsões.

Os quadros eram provocados por um pequeno tumor localizado no cérebro de Brenno. Porém, vale ressaltar que essa não é a causa de todos os casos de convulsão. 

“Existem pessoas que têm epilepsia, mas não têm nada no cérebro, não têm uma alteração estrutural, mas existem pessoas que têm, às vezes, tumor, e ele acaba causando convulsão, como se ele fosse um elemento que provoca uma irritação”, explica o neurocirurgião e professor da escola de medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) Carlos Alberto Mattozo.

E acrescenta: “O nosso cérebro tem uma atividade elétrica que fica estável e, às vezes, a presença de um tumor pode causar como se fosse um terremoto — vai dar um distúrbio de condução elétrica e causar a convulsão. Ele [Brenno] foi um paciente em quem aconteceu isso”.

Brenno sofria com os ataques de convulsão, na maioria das vezes, à noite. Porém, ele e a mãe tinham receio de que o quadro acontecesse em outros momentos do dia.

"À noite, eu não sabia quando que eu tinha [convulsão], só quando acordava que minha mãe me contava ‘olha Brenno, você teve crise de convulsão hoje’. Eu ficava ‘que chato, né? Tive crise de novo’. Mas, acordado, às vezes, eu tinha insegurança de ter crise, ficava envergonhado de ter na frente de amigos, de familiares”, conta o jovem.

A condição era uma novidade para ele e para a família, já que as convulsões de Brenno se diferenciavam do “senso comum”.

“Eu nem sabia que era epilepsia, porque era um tipo de convulsão que eu não conhecia, conhecemos mais aquela convulsão que a pessoa cai, fica se batendo, né? E ele começou a ter convulsão enquanto dormia, só que era uma que tremia o olho, babava algumas vezes, enrijecia o corpo”, relata a mãe de Brenno, Alessandra Radulski.

Após o diagnóstico, o jovem começou o tratamento medicamentoso. Alessandra tinha ciência de que existia uma cirurgia que poderia acabar com as convulsões, já que elas eram causadas pelo tumor, mas os médicos do plano de saúde da família achavam que era um procedimento muito arriscado.

“Os médicos achavam que não tinha urgência em tentar uma cirurgia pelo motivo do tumorzinho que ele tinha ficar localizado na região da fala, da memória, que era arriscado”, diz Alessandra.

A família optou por seguir as recomendações dos profissionais. A mãe relembra emocionada as dificuldades e a insegurança causadas pela condição, que faziam com que ela hesitasse em deixar o filho sair de casa.

“Eu bloqueei bastante ele, não deixava ele sair, não deixava ele fazer nada. Então, foram quatro anos que eu segurei ele em casa por segurança, porque quando ele tinha uma crise acordado não tinha tempo de chamar alguém ou sentar no chão para não acontecer algum acidente. Isso me deixava bastante insegura e eu acabava passando isso para ele”, conta a mãe, chorando.

Foi durante uma das crises noturnas de Brenno, no início de fevereiro deste ano, que Alessandra encontrou a notícia que mudou a vida da família. O texto falava de uma cirurgia no cérebro realizada por Mattozo.

“Parece que veio como uma notícia assim ‘agora é a hora’, porque foi de madrugada, eu estava só na internet, eu não estava nem procurando nada sobre a doença, e apareceu essa notícia”, relembra, emocionada.

Brenno e Alessandra momentos antes da cirurgia

Brenno e Alessandra momentos antes da cirurgia

Arquivo pessoal

No mesmo dia, a mãe marcou uma consulta com o neurocirurgião.

No encontro, descobriu que a cirurgia, antes não recomendada, era possível — e o mais importante, pelo SUS (Sistema Único de Saúde), pois a família não tinha condições financeiras de arcar com o procedimento.

Antes da cirurgia, Brenno passou por “alguns exames de eletroencefalograma, que mostram a atividade elétrica cerebral", lembra o médico. 

"Fizemos uma avaliação com uma neurologista especializada em crises convulsivas”, completa.

No dia 5 de agosto, a cirurgia bem-sucedida foi realizada no Hospital Universitário Cajuru, de Curitiba.

De acordo com a mãe, “a recuperação dele foi muito rápida, muito boa. Ele já saiu do centro cirúrgico conversando. Ele não teve dor, não teve absolutamente nada.”

Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida ter feito a cirurgia, ter me livrado das crises e, após a cirurgia, nunca mais tive, graças a Deus. Para mim, foi uma bênção que aconteceu na minha vida

Brenno Marty

Hoje, o jovem de 20 anos mantém todos os cuidados pós-cirúrgicos necessários, mas já consegue, por exemplo, sair sozinho. Ele agora busca recuperar as oportunidades perdidas.

“A minha meta principal é achar um emprego com mais facilidade, porque quando eu tinha as crises era uma dificuldade para mim. Também sair com os amigos, que antes eu tinha insegurança, procurar uma namorada, que também era insegurança. Fazer várias coisas sozinho, sem depender de mãe, sem depender de ninguém, e curtir a vida”, revela.

Mesmo estando livre de sintomas, no início de novembro, Brenno ainda realizará uma ressonância magnética para confirmar se não há mais sinais do tumor e continuará tomando a medicação contra a epilepsia por cerca de um ano, como forma de garantia. Se as convulsões não retornarem, o remédio poderá ser retirado gradativamente.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Fernando Mellis

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