Saúde Tecnologia é usada para melhorar a saúde das pessoas com a radiologia intervencionista

Tecnologia é usada para melhorar a saúde das pessoas com a radiologia intervencionista

Com uso de imagens, médicos introduzem agulhas ou cateteres por veias e órgãos para tratar tumores malignos e benignos

  • Saúde | Do R7

Procedimentos é de alto custo, mas pode reduzir o gasto total do sistema de saúde

Procedimentos é de alto custo, mas pode reduzir o gasto total do sistema de saúde

Divulgação Conselho Regional de Técnicos de Radiologia de São Paulo

O nome pode parecer difícil, mas a radiologia intervencionista é uma especialidade médica que tem crescido muito nos últimos anos, principalmente com o avanço da tecnologia e com a preocupação crescente em praticar uma medicina mais individualizada e humana.

A especialidade é usada nas áreas de diagnóstico, principalmente na detecção de tumores por meio de biópsias; terapêutica, como por exemplo cuidar de miomas em mulheres que pretendem engravidar; e tratamentos paliativos, quando o paciente não tem mais chance de cura, mas é possível dar mais qualidade de vida com menos dor e sofrimento.

"Usamos agulhas e cateteres que entram pelos vasos ou pelos órgãos, com auxílio da imagem que pode ser mostrada por ultrassonografia, tomografia ou fluoroscopia [aparelho que emite Raio X]. Essas imagens são usadas para ver exatamente o local onde está o problema e para guiar o procedimento", explica o especialista Guilherme Lopes Pinheiro Martins do HC/FMUSP-SP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP - São Paulo) e diretor da SOBRICE (Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular).

A vantagem da radiologia é que os procedimentos são menos invasivos e mais rápidos de que as cirurgias convencionais. Mas, vale ressaltar que não são todos os pacientes que podem ser tratados com essa técnica.

"A indicação está relacionada ao tipo de situação clínica do paciente. Lógico que têm os casos que precisam de cirurgia, mas tem os casos que conseguimos propor uma terapia menos invasiva com a radiologia intervencionista. A ideia é respeitar cada vez mais o corpo do indivíduo com essa medicina personalizada e de precisão", afirma o médico.  

Além disso, há contraindicações clínicas para o uso da radiologia intervencionista. "Para cada procedimento há um tipo de contraindicação. Em geral, o que usamos para todos é caso o paciente tenha algum tipo de alteração na coagulação e apresenta mais chances de sangramentos, pode ser uma contraindicação relativa passível de correção. Nosso maior risco é o sangramento interno, as hemorragias internas. Não é comum, mas pessoas que apresentam mais chances de sangramento é um risco maior e contraindicamos", ressalta Pinheiro Martins.

Tem cobertura dos planos de saúde e do SUS?

Mesmo sendo um tratamento de alto custo, muitos fazem parte do rol da ANS (Agência Nacional de Saúde), que determina a cobertura dos planos de saúde, e estão na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde) de procedimentos autorizados. 

Os tratamentos autorizados são as biópsias diagnósticas, algumas terapias endo vasculares e paliativas; entra as terapias ablativas apenas o câncer primário hepático e de osteoma osteoide. Essa técnica consiste em inserir uma agulha dentro do tumor, por meio de um aparelho e queimá-lo com temperaturas entre 100°C e 120°C, ou congelá-lo com temperaturas de -150°C, -160°C.

A SOBRICE quer este ano acrescentar outras duas terapias: contra metástases hepáticas e de tumores renais primários. "Ano passado tentamos incluir junto a ANS as terapias ablativas como um todo, mas foi negada. Agora, estamos levantando dados para produzir um novo dossiê e vamos mudar a estratégia e pedir a inclusão de tratamentos específicos. As prioridades são metástases hepáticas e tumores renais primários", pontua o médico.

E acrescenta: "hoje muitos dos nossos pacientes conseguem o tratamento por meio de judicialização, justificada."

A entidade espera mostrar que o investimento inicial, mesmo que alto, vale a pena quando é considerado o gasto total do sistema de saúde.

"Muitos veem como aumento de custo. Mas, na realidade, conseguimos economizar em várias outras coisas, como tempo de internação, complicações médicas. Além de ser pouco invasivo e ter uma morbidade e mortalidade muito menor. Conseguimos ser tão efetivos quanto alguns tratamentos convencionais e trazendo benefícios com menor custo para o sistema em geral", conclui Guilherme Martins.

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