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"Ter um filho aos 45 anos faz a gente renascer", diz executiva sobre maternidade tardia

Mulheres contam os desafios de encarar uma gravidez após os 40 anos

Saúde|Fabiana Grillo, do R7

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Aos 42 anos, Roberta Nogueira conseguiu engravidar naturalmente
Aos 42 anos, Roberta Nogueira conseguiu engravidar naturalmente

O projeto de ser mãe sempre fez parte da vida da gerente de marketing Roberta Nogueira, 45 anos. O problema é que até os 40 anos ela não havia encontrado sua “cara-metade”. Solteira, executiva e bem-sucedida financeiramente, Roberta cogitou encarar os desafios de uma produção independente.

— Conversei com a ginecologista para entender como seria ser mãe solteira e o impacto disso para a criança. Comecei até a tomar ácido fólico. Mas foi exatamente nesse momento da minha vida que reencontrei um amigo de infância pelo Facebook e começamos a namorar. Tudo aconteceu muito rápido.


Separado há mais de três anos, o jornalista Claudio Levi, 44 anos, já havia passado pela experiência da paternidade e não tinha como prioridade ter outro filho. Com muita conversa, ele e Roberta entraram em um acordo e no prazo de um ano ela confirmou a tão sonhada gravidez, “já com meus 42 anos”.

— Engravidei muito rápido e naturalmente, sem nenhum tipo de tratamento. Na noite de Natal de 2012 entregamos o ultrassom do bebê para as duas famílias. Foi muito emocionante.


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Adepta a um estilo de vida saudável, Roberta não apresentou nenhuma intercorrência na gestação e trabalhou até dois dias antes do parto. Apesar da idade, a gerente de marketing sempre esteve segura de que seu bebê nasceria sem qualquer doença genética. Tanto é que preferiu não fazer exames para rastrear as síndromes, conforme orientação médica em gestações tardias.


— Mesmo que a criança tivesse qualquer problema, jamais faria aborto, por isso optei por ficar sem saber disso até ele nascer.

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O sexto sentido de mãe funcionou. Com 40 semanas de gestação, Enrico nasceu saudável (2.880 kg e 49 cm) por cesárea, “porque a bolsa estourou e eu não tinha dilatação”. O menino, que agora tem um ano e meio, trouxe não só alegria para a família como também rejuvenesceu os pais.

— Ter um filho aos 45 anos faz a gente renascer, me sinto jovem e meu marido é um paizão. Converso com outras mães e troco figurinhas de igual para igual. Não me sinto excluída por causa da idade.

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Roberta não esconde a vontade de dar um irmãozinho para Enrico, mas sabe que é uma decisão difícil de ser tomada nesse momento “por causa da idade, vida profissional e questão financeira”, cita ela.

— Acho que vou ter que parar em um único filho. Se eu quiser mesmo, preciso ser rápida.

“40 anos era o meu limite”

Mãe de Vitória, Isabella Angelucci, 41 anos, espera o segundo filho
Mãe de Vitória, Isabella Angelucci, 41 anos, espera o segundo filho

Outra história bem-sucedida de maternidade tardia é a da engenheira de produção Isabella Angelucci, 41 anos. Prestes a dar à luz o segundo filho, ela conta que nunca teve pressa para engravidar.

— Tomei pílula por muito tempo e nunca me preocupei com idade para ter filhos. A primeira gestação foi com 36 anos e, como sempre sonhei em ter dois filhos, 40 anos era meu limite para tentar a segunda gravidez.

Mãe de Vitória, de cinco anos, Isabella e o marido Tiago Britto, 38 anos, agora esperam um menino, que já está pronto para chegar a qualquer momento. A mamãe de segunda viagem conta que não apresentou complicações em nenhuma das gestações, mas sentiu que “o obstetra ficou mais cauteloso dessa vez”.

— Nessa gestação, o médico só liberou atividade física na água e na da Vitória fiz pilates e dança. Alguns cuidados no processo te fazem lembrar o tempo inteiro que você não é mais uma menina. Já da outra vez foi tudo normal, como se eu fosse uma adolescente.

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Fazer o exame para rastrear doenças genéticas foi o único momento que Isabella admite ter ficado mais preocupada com a gravidez tardia. O alívio veio junto com o resultado que comprovou que o bebê é saudável.

— Passado isso, só fico pensando como vai estar meu pique no futuro. Mas logo lembro que sou animada e vou conseguir acompanhar meus filhos. Não tenho nenhum medo de não dar conta.

Para ela, uma das vantagens da maternidade tardia é “saber administrar seu tempo e priorizar estar com a família”. Apesar de ser executiva e ter a agenda lotada de compromissos, ela discorda de quem acredita que filho é capaz de atrapalhar o plano de carreira.

— O tempo me deu maturidade para perceber que filho não afeta a carreira. Não digo que é fácil, mas é muito gostoso. As mulheres, em geral, conseguem lidar muito bem com as diversas tarefas sem desiquilibrar.

No dia a dia da engenheira, não existe “sair de casa às 7h para trabalhar sem minha filha ter acordado e nem chegar tarde a ponto dela já estar dormindo”, como acontece com muitas mulheres mais jovens no auge da carreira.

Roberta, a mãe de primeira viagem do início da reportagem, concorda que é possível conciliar as tarefas de mãe, mulher, dona de casa e profissional, especialmente quando a maternidade acontece após os 40.

— Com a idade, você passa a ter mais segurança em si, impor limites e organizar melhor seu tempo. Como não tenho mais flexibilidade de horário, sei que preciso ser mais produtiva no meu trabalho. Por outro lado, não abro mão de tomar café da manhã com meu filho, buscar na escola ou brincar.

Para Roberta, o único receio daqui para frente é aprender a lidar com uma juventude precoce, “de namorada dormindo em casa, por exemplo”.

— Tenho uma cabeça mais conservadora e já estou me preparando psicologicamente para lidar melhor com isso. Espero que na geração do Enrico tudo seja diferente. 

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, o R7 fez uma série de reportagens dedicada a elas. Veja aqui o índice completo das matérias publicadas.

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