Saúde Tratar a dependência emocional é caminho mais eficaz para largar o cigarro; saiba como

Tratar a dependência emocional é caminho mais eficaz para largar o cigarro; saiba como

Descubra o que o cigarro significa em sua vida e pare de fumar agora mesmo   

Tratar a dependência emocional é caminho mais eficaz para largar o cigarro; saiba como

Cauê Moreno foi de fumante inveterado a não fumante em um dia de tratamento: "O cigarro era meu maior inimigo"

Cauê Moreno foi de fumante inveterado a não fumante em um dia de tratamento: "O cigarro era meu maior inimigo"

Arquivo Pessoal

Por que eu fumo? Todo dependente de tabaco conhece os riscos, os malefícios, os danos à saúde, mas, ainda assim, segue viciado. Não há imagem escabrosa no maço de cigarros capaz de comover o coração de um fumante. Pode achar horrível, mas mesmo assim, continua fumando.

O motivo, garantem os especialistas, é que a dependência emocional fala mais alto do que qualquer estrago físico. Por isso, quem se dispõe a buscar essa resposta, a descobrir o que é cigarro representa em sua vida, tem tido mais sucesso em abandonar o vício.

O fotógrafo Cauê Moreno fumou por 17 anos, sem parar nenhum dia. Quando resolveu que gostaria de surfar, descobriu que, fumando, jamais conseguiria pegar onda. "O cigarro era meu maior inimigo". A partir daí, começou sua batalha contra o vício. Tentou terapia, antidepressivos, adesivos. O máximo que conseguiu foi um mês longe do cigarro e, quando voltou, estava ainda pior. Convencido por um amigo, tentou um método que está, há 33 anos, revolucionando o tratamento do tabagismo: o EasyWay.

— Eu achava que era uma pessoa que gostava de fumar. Participei do seminário e nunca mais voltei a fumar. Faz quatro meses já e é muito louco. Não sei explicar. As pessoas perguntam: "Como você não sente vontade?', e a gente descobre que não é vontade. Consegui identificar que aquela abstinência é de algo que não era bom. O cigarro deixa de fazer sentido. Se não sou fumante, por que vou fumar?

Cauê participou do programa da Allen Carr's Easyway International, a maior organização global de cessação de tabagismo. Em 1983,  Allen Carr, um ex-fumante que fumava 5 carteiras de cigarro por dia, se curou do vício e transformou sua conquista em um método. Hoje a empresa atua em 50 países, com cerca de 150 centros que ajudam outros fumantes a também acabarem com esse vício.

No Brasil, a EasyWay chegou em 2012, pelas mãos de Lilian Brunstein e seu marido. Ambos largaram o cigarro após fazerem o tratamento em Londres. A forma como Allen parou foi simples, rápida, fácil, sem nenhum remédio, sem sofrimento, sem precisar usar a força de vontade, e ele percebeu que esse era o sonho de todo fumante. A empresa passou desde então a crescer graças ao boca a boca dos clientes. A maioria larga o cigarro na primeira sessão. Foi o caso de Cauê Moreno.

— Não tenho mais cheiro de cigarro, consigo correr, faço aula de pilates, mudei minha vida. Minha chance de conseguir surfar aumentou 80%. Eu fumava muito, acordava de manhã e a primeira coisa que eu fazia era acender um cigarro. Não é culpa sua, é culpa do cigarro. Lembro que me pediram para identificar o que eu achava de bom no cigarro... hoje vejo o monte de bobagem que falei. Não tem nada de bom!

Lilian Brunstein explica que todo fumante contrói uma relação com o cigarro, e as desculpas para fumar vão desde "o cigarro me mantém magro" até "o cigarro me ajuda a ir ao banheiro". O método mostra que todas essas conexões são ilusões. O seminário desfaz essas ilusões, acaba com esse relacionamento e foca na dependência psicológica, que é mais violenta do que a química e o temor da abstinência. 

— O Programa Easyway foi panejado em até três seminários (um principal + dois de reforço apenas se necessário), 90 dias de acompanhamento à disposição do participante, incluindo suporte com o terapeuta por telefone e + 2 sessões de reforço. Caso o participante não pare de fumar tendo frequentados as três sessões, recebe integralmente seu valor reembolsado sem nenhum questionamento e depositado em sua conta. Basta que compareça às três sessões sem faltar, abandonar a sessão, adiar ou atrasar mais de 15 minutos, e se não parar, deve nos enviar 1 único e-mail dizendo que não parou sem ter de provar nada para fazer jus ao seu reembolso.

Os índices de sucesso no abandono do vício também chamam a atenção entre os participantes do Método Lótus, promovido pela Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, presidida por Rodrigo Fonseca. Ainda que este não seja o foco do treinamento, até 99% dos participantes relatam ter abandonado o cigarro depois de se submeterem ao programa, que dura cerca de 36 horas e exige um fim de semana de dedicação integral. Ao entrarem em contato com as razões que motivam o tabagismo, a saída do vício se torna consciente. Novamente, é uma questão de se buscar as razões da dependência emocional, e não química.

Parar de vez é mais eficaz

Esses resultados vêm confirmar um estudo realizado na Universidade de Oxford (Reino Unido), pela pesquisadora Nicola Lindson-Hawley. De acordo com a pesquisa, pessoas que deixam de fumar de repente têm mais chance de obter sucesso na tentativa de largar o cigarro do que aquelas que reduzem o consumo de tabaco gradualmente. A pesquisa acompanhou a luta contra o vício de 700 fumantes adultos divididos em dois grupos: um tentaria largar o cigarro de maneira abrupta, outro de maneira gradual.

— O que descobrimos é que mais pessoas conseguiram parar quando deixaram de fumar de uma vez do que tentando reduzir a dose gradualmente para tentar parar.

No Hospital Albert Einstein, no entanto, há um programa para auxiliar fumantes a abandonar o cigarro, no qual nem todos largam o vício de vez. De forma multidisciplinar, o projeto, batizado de Telecessação de Tabagismo, prevê acompanhamento psicológico e psiquiátrico, de forma presencial e à distância, que já apresenta resultados expressivos.

De acordo com Ana Merzel Kernkraut, coordenadora do serviço de psicologia do hospital, o tratamento já existia, mas havia muita desistência, por conta do deslocamento até a unidade de saúde. Ao oferecer o atendimento à distância, adesão dos pacientes ao programa aumentou.

— Ao agendar o programa, o paciente tem uma consulta presencial com psiquiatra e psicológo. Neste momento, são colhidos dados como o grau de dependência, se ele já faz outro tratento de saúde, qual motivação dele para parar de fumar, se está disposto a abandonar o vício, e nós vamos auxiliá-lo na jornada que vai ter pra cessar o uso do tabaco.

Toda semana, o paciente terá consultas à distância com o psicólogo por 30 minutos, intercaladas com atendimentos presenciais.Também são disponibilizados vídeos sobre tabagismo, conforme a necessidade do paciente. O programa tem duração de 12 semanas e é pago.

— A taxa de cessação de uso do tabaco é de 65%. Há de 10% a 12% dos pacientes que abandonaram o tratamento, por motivos diversos. E, em torno de 20%, reduziram a quantidade de cigarros.

Adolescentes na mira das campanhas

A briga contra o tabagismo está longe de acabar. O esforço passa por unidades de saúde particulares e públicas. Efemérides como o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado todo 29 de agosto, tem como objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população brasileira para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco.

No Brasil,  o INCA é o órgão do Ministério da Saúde que coordena o Programa Nacional de Controle do Tabagismo. O Programa visa à prevenção e à cessação do tabagismo na população por meio de ações que estimulem a adoção de comportamentos e estilos de vida saudáveis e que contribuam para a redução da incidência e da mortalidade por câncer e doenças tabaco-relacionadas no país.

A campanha deste ano, que dá continuidade à estratégia iniciada no dia 31 de maio – Dia Mundial sem Tabaco –, aborda impacto socioambiental da indústria, com destaque (conceito e imagem central) para as questões que afetam o meio ambiente. É uma campanha de massa, com foco no público jovem e adulto (aproximadamente de 16 a 50 anos), de ambos os sexos, incluindo fumantes ou não. A opção por focar o público jovem parte da estratégia para prevenir a iniciação e a experimentação (que ocorre principalmente na faixa etária de adolescentes e jovens, aproximadamente entre 13 e 25 anos).

Focado exatamente neste público, o A.C.Camargo Cancer Center inicia neste 2/8 a campanha para alertar adolescentes sobre os malefícios do consumo de tabaco, cigarro eletrônico e narguilé. Haverá veiculação de quatro vídeos, apoio de influenciadores em mídias sociais e palestras educativas com especialistas do Núcleo de Pulmão e Tórax em escolas particulares e públicas de São Paulo. A campanha vai se estender até o fim de setembro.