Saúde Tratar problema no ânus, como no caso de Whindersson, ainda é tabu  

Tratar problema no ânus, como no caso de Whindersson, ainda é tabu  

Comediante anunciou nesta terça que será submetido a cirurgia, sem relevar causa; trombose e abscesso são motivos mais comuns de cirurgia na região

 Whindersson Nunes minutos antes da cirurgia em imagem divulgada por ele

Whindersson Nunes minutos antes da cirurgia em imagem divulgada por ele

Reprodução/Instagram

O comediante e youtuber Whindersson Nunes, 24, anunciou nesta terça-feira (16) no Instagram que precisará passar por cirurgia no ânus, o que foi confirmado por sua assessoria de imprensa.

"Vou operar o t*** daqui 25 minutos. To falando sério. Tava sentindo uma dor na beirada do for***, fui no médico e ele disse que tinha que operar urgente! Mas era só o que me faltava", escreveu na legenda da foto. O humorista havia relatado há pouco problemas com a depressão.

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De acordo com a coloproctologista Sthela Murad Regadas, presidente da SBCP (Sociedade Brasileira de Coloproctologia), os problemas no ânus são um tabu tanto para homens quanto para mulheres. "Ambos os sexos têm preconceito em tratar a região anal mas, ainda assim, os homens vão menos ao médico para analisar a região", afirma.

Sthela afirma que o principal problema que pode necessitar de cirurgia de emergência é o abscesso anorretal, que consiste no acúmulo de pus na pele ao redor do ânus e do reto. De acordo com a coloproctologista, o abscesso ocorre por um trauma na região durante a passagem das fezes, infeccionando as glândulas do canal anal. Sthela classifica o problema como doloroso, e a cirurgia se faz necessária para drenar o pus da região.

Outros problemas podem necessitar de cirurgia, caso o tratamento clínico não surta efeito. Entre os principais estão a fissura anal, uma ferida na margem do ânus que ocorre por estresse, ansiedade e traumas na passagem do bolo fecal, hemorroidas de terceiro e quarto graus, que podem necessitar da cirurgia conforme o aparecimento de crises, dores e sangramentos, tumores da região anal que não respondam ao tratamento quimio e radioterápico, precisando de uma colostomia definitiva, fístulas anais, verrugas genitais por HPV e complicações decorrentes da doença de Crohn.

A proctologista Maristela de Almeida, do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, explica que entre as doenças que levam a cirurgias eletivas a mais comum é a hemorroida, veias dilatadas do ânus que são irritadas. "A hemorroida crônica provoca sangramento e prolapsa toda vez que a pessoa evacua. Quando se torna trombose hemorroidária, fica inchada e dolorida", afirma.

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Segundo ela, a cirurgia é indicada de acordo com o grau da trombose. "Pode ser tratada clinicamente ou, se estiver com muita dor, é recomendada a cirurgia. Já para o abscesso, o tratamento sempre é cirúrgico", diz.

A cirurgia da trombose hemorroidária é considerada de pequeno porte, sendo que o paciente pode retornar às atividades diárias em torno de uma semana. "O pós-operatório em cirurgias de emergência é menos incômodo do que em cirurgias eletivas, pois a dor do pós-operatório será menor do que a dor que o paciente com problema agudo estava sentindo", explica. 

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A proctologista afirma que a causa da hemorroida ainda é desconhecida, mas a inflamação é desencadeada por atividades que geram pressão na região anal, sendo as mais comuns gravidez, prisão de ventre, levantamento de peso na musculação e andar de bicicleta.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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