Casos de morte súbita durante exercícios reforçam importância do check-up cardíaco
Especialista alerta para sinais de risco cardiovascular antes da prática esportiva
Vanity Brasil|Do R7

Os recentes casos de morte súbita durante a prática de exercícios físicos, especialmente em academias e atividades de alta intensidade, têm chamado atenção da população e levantado discussões sobre a importância da avaliação cardiovascular antes do início ou intensificação dos treinos.
Embora nem todos os eventos sejam evitáveis, muitos poderiam ser prevenidos com investigação clínica adequada, identificação de fatores de risco e adoção de medidas de segurança nos ambientes esportivos. Segundo o cardiologista Juliano Novaes Cardoso, docente da Faculdade Santa Marcelina, a principal causa de morte súbita associada ao exercício varia conforme a faixa etária.
“Acima dos 40 anos, a principal causa costuma ser a doença arterial coronariana, que é a alteração das artérias do coração responsável pelo infarto. Já em indivíduos mais jovens, devemos pensar principalmente em cardiomiopatia hipertrófica, miocardites, que são inflamações do músculo cardíaco, e em arritmias cardíacas”, explica.
O especialista destaca que a prática regular de atividade física reduz a mortalidade cardiovascular e traz benefícios amplamente comprovados para a saúde física e mental. No entanto, ele ressalta que é fundamental avaliar se existe alguma doença prévia que possa aumentar o risco durante o exercício.
“A atividade física continua sendo uma das principais ferramentas de promoção de saúde. O ponto central não é gerar medo da prática esportiva, mas estimular uma prática segura e responsável”, afirma o profissional.
Entre os principais sinais de alerta que merecem investigação médica estão episódios de desmaio, dor no peito, palpitações, falta de ar desproporcional ao esforço realizado e histórico familiar de morte súbita ou doenças cardíacas precoces.
“A presença desses sintomas deve chamar atenção e motivar avaliação com cardiologista. Em muitos casos, exames relativamente simples conseguem identificar alterações importantes antes que um evento grave aconteça”, ressalta Juliano Novaes.
Além da avaliação médica individual, o preparo das academias e centros esportivos também é considerado essencial. O cardiologista reforça que a disponibilidade de desfibriladores automáticos externos (DEA) e o treinamento das equipes em reanimação cardiopulmonar podem fazer diferença decisiva no atendimento de emergências. “Quando ocorre uma parada cardíaca, a agilidade no atendimento é determinante para aumentar as chances de sobrevivência. Ter equipamentos adequados e profissionais treinados salva vidas”, pontua.
Outro aspecto que preocupa especialistas é o início abrupto de exercícios intensos sem condicionamento adequado, associado, em alguns casos, ao uso de substâncias estimulantes, desidratação e sobrecarga física extrema, fatores que podem atuar como gatilhos para eventos cardiovasculares em pessoas predispostas.
Diante do aumento da discussão pública sobre o tema, os especialistas reforçam que a conscientização sobre prevenção cardiovascular deve caminhar junto ao incentivo à prática de exercícios.
“A recomendação não é deixar de praticar atividade física. Pelo contrário. O objetivo é incentivar que as pessoas façam isso da forma mais segura possível, com orientação adequada e atenção aos sinais do próprio corpo”, conclui o cardiologista.











