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Puxar a língua ajuda? Entenda o que aconteceu com Henri Castelli e como agir

Especialista alerta para os perigos de tentar "ajudar" errado

Vanity Brasil|Do R7

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Vanity Brasil - Saúde

A semana foi marcada por tensão nas redes sociais após o ator Henri Castelli sofrer duas crises convulsivas durante sua participação em um reality show de grande audiência. As imagens do artista sendo socorrido viralizaram e levantaram um debate urgente: afinal, o público sabe o que fazer — e, principalmente, o que não fazer — diante de uma emergência como essa?

​O desespero visto na internet e entre as pessoas que presenciaram a cena reflete uma dúvida comum. No impulso de tentar salvar, muitos acabam recorrendo a mitos antigos que podem agravar o estado da vítima. Para esclarecer o assunto e orientar de forma responsável, conversamos com o Dr. Pedro Henrique de Souza Duarte, médico da SegMedic — rede de clínicas ambulatoriais do Rio de Janeiro —, que detalhou os primeiros socorros adequados.


​Identificando os sinais de perigo

​Antes de agir, é fundamental reconhecer o quadro. Segundo o médico, embora cada organismo reaja de uma forma, existem padrões claros.


“Os sinais mais frequentes incluem perda súbita de consciência, queda ao chão, movimentos involuntários e rítmicos de braços e pernas, além de rigidez muscular e salivação excessiva”, explica o especialista da SegMedic.

​O Dr. Pedro também alerta que, após a crise, é normal que a pessoa apresente desorientação mental, sonolência e dores de cabeça. Contudo, nem toda convulsão é explosiva; algumas podem ser mais discretas, exigindo um olhar atento.


​O mito da língua e o que JAMAIS fazer

​Talvez o maior erro popular, repetido exaustivamente em novelas e filmes antigos, seja a tentativa de “desenrolar a língua”. O médico é enfático: isso é um mito perigoso.


​”Não se deve colocar a mão, objetos ou panos na boca, nem tentar puxar a língua em hipótese alguma. Além do risco de o socorrista levar uma mordida grave, isso pode obstruir a passagem de ar da vítima e causar engasgos”, alerta Dr. Pedro Henrique.

Outros erros que devem ser evitados:

  • ​Segurar a pessoa com força para conter os movimentos;
  • ​Oferecer água, comida ou remédios logo após a crise (risco de broncoaspiração);
  • ​Realizar respiração boca a boca durante a convulsão.

​Guia de Sobrevivência: A conduta correta

​Se você presenciar uma situação semelhante à de Henri Castelli, a regra número um é manter a calma. O médico lista o passo a passo para garantir a segurança da vítima:

  1. Cronometre o tempo: A maioria das crises dura de 1 a 3 minutos. Essa informação será crucial para a equipe médica.
  2. Proteja a cabeça: Afaste móveis, quinas e objetos. Coloque algo macio (como um casaco dobrado) sob a cabeça para evitar impacto no chão.
  3. Posição Lateral: Se possível, vire delicadamente o corpo ou a cabeça da pessoa para o lado. Isso evita que ela se afogue com saliva ou vômito.
  4. Afrouxe as roupas: Abra botões de colarinho, tire cintos ou gravatas para facilitar a respiração.
  5. Aguarde a recuperação: Após a crise, fale calmamente, explique o ocorrido e ofereça apoio, sem forçar a ingestão de líquidos até que a consciência retorne totalmente.

​Causas e quando procurar emergência

​O episódio recente serviu de alerta para diversos fatores que podem desencadear convulsões, como estresse intenso, privação de sono — comum em confinamentos —, epilepsia ou alterações metabólicas.

​O especialista da SegMedic reforça que o socorro de emergência (SAMU ou Bombeiros) deve ser acionado imediatamente se:

  • ​For a primeira convulsão da vida da pessoa;
  • ​As crises se repetirem em sequência;
  • ​A perda de consciência for prolongada;
  • ​O episódio ocorrer após uma pancada na cabeça.

​O caso de Henri Castelli reforça que, independentemente do ambiente, a informação correta é a ferramenta mais poderosa para evitar sequelas e garantir um atendimento seguro.

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