Tecnologia e Ciência América Latina não está preparada para novas tecnologias, diz ONU

América Latina não está preparada para novas tecnologias, diz ONU

No ranking com 158 países, liderado por Estados Unidos, Suíça e Reino Unido, o Brasil aparece apenas na 41ª posição

Estados Unidos, Suíça e Reino Unido são os países mais preparados para novas tecnologias

Estados Unidos, Suíça e Reino Unido são os países mais preparados para novas tecnologias

Pixabay

Os Estados Unidos, Suíça e Reino Unido são, nesta ordem, os países mais bem preparados para novas e emergentes tecnologias, como inteligência artificial (IA) ou big data, de acordo com um índice apresentado nesta quinta-feira (25) pelas Nações Unidas onde a América Latina, com Brasil e Chile na liderança, ocupa posições discretas.

O Brasil ocupa a 41ª posição em uma classificação de 158 economias elaborada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), onde o Chile ocupa a 49ª posição, o México (57ª), Costa Rica (61ª), Argentina (65ª) e Panamá (67ª), sendo os países latino-americanos mais bem colocados.

Na parte inferior da região estão a Nicarágua (que ocupa o 125º lugar no índice global), Honduras (122º), Bolívia (116º) e El Salvador (106º), enquanto a Colômbia está em 78º, o Peru está em 89º e a Venezuela em 99º.

Nos primeiros lugares, destacam-se economias como Coreia do Sul (7º), Alemanha (9º), França (13º), Japão (18º) ou Espanha (21º), enquanto China e Índia, apesar de liderarem em pesquisa e desenvolvimento, estão na 25ª e 43ª posições, respectivamente, devido a deficiências em telecomunicações.

A classificação foi feita medindo cinco variáveis: pesquisa e desenvolvimento em novas tecnologias, situação da indústria local de telecomunicações, capacitação para novos setores, facilidades de financiamento dos mesmos e implantação geral dessas indústrias no país.

O índice faz parte de um relatório em que a Unctad analisou não apenas o futuro da IA e o gerenciamento de grandes bancos de dados, mas também de setores como internet das coisas, blockchain, redes 5G, impressão 3D, robótica, drones, edição de genes, nanotecnologia e fotovoltaica.

A Unctad estima que esses setores constituíam um mercado de US$ 350 bilhões em 2018 que em meados desta década quase poderia se multiplicar por US$ 10 a US$ 3,2 trilhões (dos quais, 1,5 trilhão na internet das coisas e 500 bilhões na robótica).

A organização quer sublinhar com seu estudo que as novas tecnologias estão aumentando o fosso econômico entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, como vem acontecendo desde que sucessivas revoluções industriais mudaram periodicamente os fundamentos da economia durante 250 anos.

"É fundamental que os países em desenvolvimento não percam a onda de tecnologias de ponta, senão as desigualdades se aprofundarão ainda mais", disse a secretária-geral da Unctad, Isabelle Durant, que pediu às sociedades e empresas um melhor preparo para reduzir a lacuna.

O relatório também destaca que, ao lado das enormes oportunidades nesses setores nascentes, surgem grandes desafios, como o risco da automatização assumir empregos em grande escala e, ao mesmo tempo, reduzir os direitos trabalhistas.

O estudo enfatiza que os governos têm um papel fundamental a desempenhar na preparação do caminho para as tecnologias, especialmente na criação de um ambiente propício e "garantindo que os benefícios dessas tecnologias sejam compartilhados por todos".

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