Tecnologia e Ciência Ativistas denunciam empresa de Elon Musk por testes abusivos com macacos nos Estados Unidos

Ativistas denunciam empresa de Elon Musk por testes abusivos com macacos nos Estados Unidos

Apenas sete dos 23 animais usados como cobaias sobreviveram aos testes para desenvolver o chip cerebral da empresa Neuralink

Macacos Rhesus foram usados nos testes da Neuralink

Macacos Rhesus foram usados nos testes da Neuralink

Wikimedia Commons

Ativistas de um grupo de proteção animal acusam a Neuralink, empresa do bilionário Elon Musk, por maus-tratos a macacos em testes para a produção de um microchip cerebral. Os relatórios indicam “sofrimento extremo” e procedimentos “altamente invasivos”.

A denúncia, feita pelo Comitê de Médicos para Medicina Responsável (PCRM, na sigla em inglês) e divulgada pelo portal Insider, afirma que o sofrimento dos animais é causado por “cuidados inadequados com os animais” durante os experimentos de implantes na cabeça.

O PCRM teve acesso a 700 páginas de relatórios e documentos, incluindo laudos de necrópsia dos animais, graças a um requerimento público, uma vez que os macacos pertencem a um centro de pesquisa federal nos Estados Unidos. Os testes da Neuralink são ligados também à UC Davis (Universidade da Califórnia em Davis).

A expectativa da empresa de Musk é desenvolver um sistema de microchips instalados no cérebro junto com fios, que ficarão ligados ao crânio humano. O objetivo do dispositivo é simular e monitorar atividades cerebrais.

O relatório contém informações de 23 macacos testados pela Neuralink entre 2017 e 2020 nas dependências da UC Davis. As entidades teriam violado, pelo menos, nove artigos da Lei de Bem-Estar Animal, segundo a PCRM.

Os pesquisadores envolvidos nos testes teriam minimizado a dor e o sofrimento dos macacos com anestesia, mas sem a presença de um veterinário especialista para fazer o procedimento, prática ilegal nos EUA. O boletim de um dos animais indica, inclusive, a automutilação de dedos.

De acordo com o coordenador da área jurídica do PCRM, Jeremy Beckham, apenas sete dos 23 macacos sobreviveram aos testes da Neuralink. Posteriormente, os animais foram transferidos das instalações da UC Davis para dependências da empresa de Musk.

O próximo passo para o PCRM é fazer com que o Departamento de Agricultura dos EUA investigue tanto a UC Davis quanto a Neuralink pela violação da Lei de Bem-Estar Animal. O próprio PCRM pretende processar a universidade por uma suposta retenção de vídeos, fotos e outras informações dos macacos.

Segundo Musk, os testes em humanos devem começar ainda neste ano. Entretanto, no início de 2021, ele declarou que os primeiros estudos começariam ainda naquele ano. Essa mesma promessa foi feita em 2020, mas também não foi cumprida, o que indicaria uma falta de segurança para testes em humanos, afirmaram representantes do PCRM.

O portal Insider procurou a UC Davis e a Neuralink, mas não obteve respostas das entidades sobre os fatos expostos na matéria antes da publicação da reportagem.

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