Cabo submarino vai ligar internet e telefonia do Brasil e EUA
Projeto pretende melhorar acesso à internet de 70% dos domicílios brasileiros até 2015
Tecnologia e Ciência|Tiago Alcantara, do R7

O Brasil está prestes a ganhar um novo sistema de cabos submarinos que vai criar uma rota direta entre o País e os Estados Unidos. Com conclusão esperada para 2015, o Seabras-1 será operado pela Seaborn Networks e será construído pela empresa francesa Alcatel-Lucent. O sistema terá quatro fibras e vai ser a primeira rota direta entre São Paulo e Nova York, com um ponto em Fortaleza.
Na prática, os cabos devem melhorar a qualidade da conexão banda larga dos brasileiros. O CEO da Seaborn Networks, Larry Schwartz, explica que a demanda local poo melhores serviços fez com que a capacidade máxima do Seabras-1 fosse ampliada de 32 Tbbps para 40 Tbps - o sistema de cabeamento tem capacidade para trafegar até 620 mil canais de HDTV simultaneamente (capacidade para a transmissão com qualidade de eventos esportivos).
— Como o Brasil e outros países da América do Sul continuam a experimentar um crescimento sem precedentes na demanda por serviços de telecomunicações, o Seabras-1 está bem posicionado para apoiar as necessidades de comunicação internacional da região.
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O Seaborn-1 deverá oferecer comunicação de baixa latência por meio de 10,4 mil km conectando diretamente as duas cidades, além de um ponto no nordeste brasileiro. Há previsão de mais quatro cabos na América Latina. O projeto tem uma "promessa de garantia" da Coface, Agência Francesa de Crédito para Exportação, para uma linha de crédito que deve garantir o completo desenvolvimento do projeto.
O executivo comentou que o novo cabo pretende melhorar o acesso à internet de 70% dos domicílios brasileiros até 2015, além de suprir o aumento do número de acessos via smartphones e tablets no Brasil. O crescimento das conexões em outros países da América Latina, como Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai também é apontado como motivação para a construção do sistema da Seaborn Networks.
Não há espionagem
Schwartz revela que os brasileiros não precisam ficar preocupados com a privacidade dos dados que vão trafegar de São Paulo até Nova York. O executivo explica que empresa não retém as informações de nenhum de seus clientes e reforçou que a Seaborn Networks cumpre todas as leis de países onde atua.
— Não ficamos com esses dados e não temos chance de armazená-los ou coisa parecida. A razão é que nós não temos dados dos clientes, pois nossos clientes são os criadores desse conteúdo. Por isso não temos nossos próprios data centers, o que significa que o tráfego não é armazenado.
Além da característica de serviço, o executivo afirma que a o fato de sua companhia atuar em todo o mundo é outro fator que faz pressão para que os dados transportados não sejam capturados. Essa "pressão" do mercado é apontada por analistas como uma das razões para impedir a espionagem das agências de inteligêcia norte-americanas e de outros Estados pelo mundo.














