Tecnologia e Ciência Ganhador de Nobel se diz cético sobre vida extraterrestre

Ganhador de Nobel se diz cético sobre vida extraterrestre

Canadense James Peebles, um dos três vencedores do Nobel de Física, foi premiado pelas descobertas teóricas em cosmologia física

Prêmio Nobel de Física

Eduardo Munoz/Reuters - 08.10.2019

O canadense James Peebles, um dos três vencedores do Nobel de Física anunciados nesta terça-feira (8), se mostrou cético sobre a possibilidade de os seres humanos chegarem a ver vida em outros planetas.

"Ironicamente, temos esta visão sobre a vida em outros planetas e podemos estar muito seguros de que nunca poderemos ver estas outras vidas, estes outros planetas", declarou em entrevista por telefone durante a apresentação do prêmio na sede da Real Academia das Ciências Suecas, em Estocolmo.

Perguntado se acredita na possibilidade de existir vida em outros planetas, o pesquisador ressaltou que esse questionamento "mostra as grandes limitações, os grandes avanços e o grande poder da ciência".

"Certamente, isto é só uma suposição. E é destacável, irônico, que possamos estar muito seguros de que há muitos planetas e que entre eles existam os que são adequados para a vida de alguma maneira. Acredito que em alguns dessas planetas haverá algo que poderemos querer chamar de vida, mas, será como a vida na Terra? É muito difícil de saber, na minha opinião", argumentou.

Peebles recomendou que as futuras gerações de cientistas pesquisem por amor à ciência, sem pensar em hipotéticos prêmios pelos trabalhos desenvolvidos.

"O meu conselho para os jovens é que se dediquem à ciência por amor a ela, porque se sentem fascinados por ela. Foi isso o que eu fiz", acrescentou Peebles.

James Peebles e os suíços Michel Mayor e Didier Queloz foram anunciados nesta terça-feira como vencedores do Nobel de Física devido à contribuição para o entendimento da evolução do Universo e o lugar da Terra no Cosmos.

Peebles foi premiado pelas descobertas teóricas em cosmologia física, enquanto Mayor e Queloz foram agraciados por identificarem um exoplaneta orbitando uma estrela solar.

O cientista canadense, que também possui a cidadania americana, lembrou que em 1964, quando começou os estudos que resultariam em um Nobel, se sentiu um pouco "incomodado" por explorar um campo sem muitas referências e admitiu que nunca pensou que faria "uma grande descoberta".

O prêmio de Física segue o de Medicina, que abriu na segunda-feira a série de anúncios da atual edição do Nobel. Nos próximos dias serão divulgados os vencedores de Química, Literatura, Paz e Economia.

O Nobel de Medicina foi para os americanos William G. Kaelin e Gregg L. Semenza e o britânico Peter J. Ratcliffe, por revelarem a relação das células com o oxigênio disponível, o que possibilitou novas estratégias para o combate à anemia e ao câncer.

Os prêmios serão entregues no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de seu fundador, Alfred Nobel, em uma cerimônia na Sala de Concertos de Estocolmo. O Nobel da Paz será entregue na Câmara Municipal de Oslo, o único que fora da Suécia, por desejo de Nobel, já que a Noruega fazia parte do Reino da Suécia na sua época.

Nesta edição serão anunciados excepcionalmente dois prêmios de Literatura, por 2018 e 2019, já que no ano passado a honraria não foi concedida devido ao escândalo de denúncias de abuso sexual que comprometeu a Academia Sueca.