'Inspetor virtual' identifica uso de máscaras por pedestres no Uruguai

Software detecta por meio das gravações das câmeras instaladas pela rua quantas pessoas realmente utilizam a máscara nas vias públicas

Empresa uruguaia cria software para contabilizar pessoas usando máscara pela rua

Empresa uruguaia cria software para contabilizar pessoas usando máscara pela rua

Gonzalo Fuentes/Reuters - 20.07.2020


No Uruguai, onde a recomendação das autoridades para a prevenção da covid-19 é a liberdade responsável, uma câmera de vigilância de rua se tornou um inspetor virtual capaz de detectar quantas pessoas transitam pela cidade usando máscaras.

O país, que registra 1.064 casos e 33 mortes desde 13 de março, quando as autoridades decretaram a emergência de saúde, se orgulha da responsabilidade dos cidadãos de acatar as medidas de saúde sem a necessidade de restrições.

A empresa uruguaia de soluções tecnológicas Tryolabs criou um software que, por meio das gravações das câmeras de rua, pode detectar quantas pessoas realmente utilizam a máscara nas vias públicas.

"Não tínhamos visto nenhuma solução que pudesse ser detectada em streaming de vídeo, onde os rostos são pequenos, meio desfocados, que identifique quem usa uma máscara e quem não usa", explicou Alan Descoins, diretor de tecnologia da companhia.

A empresa trabalha com tecnologias de análise de vídeo há cerca de dois anos, pensando principalmente em companhias que desejam gerenciar seus produtos, observando onde os clientes mais param no estabelecimento ou quanto tempo passam olhando para uma determinada loja.

Com essa tecnologia, foi dado mais um passo para detectar máscaras faciais nas pessoas na rua. Como a empresa não possuía câmeras próprias, a escolhida foi a localizada na rua Peatonal Sarandí, uma das mais turísticas da cidade velha de Montevidéu.

"Podemos contar o uso de máscaras em estatísticas agregadas. Não é um sistema que identifica uma pessoa, só podemos dizer que há tantas pessoas com máscaras e tantas pessoas sem máscaras neste período de tempo", esclareceu.

A primeira medição detectou que 388 pessoas passaram durante o período de gravação. Desse total, 158 foram analisadas pelo software e os resultados mostraram que 81 usavam máscaras, 51%.

Barba ou máscara?

Embora o software seja bem desenvolvido, algumas das dificuldades surgem da qualidade da imagem da câmera ou do posicionamento. Pessoas que andam de costas para a lente não podem ser contabilizadas e, às vezes, o sistema confunde barbas com máscaras.

Como a ideia é que o sistema tenha a menor margem de erro possível, Descoins trabalha para torná-lo mais "robusto" e, as dúvidas são marcadas de amarelo para que possam ser revisadas novamente. Quem usa máscara aparece em verde e, aqueles que não, em vermelho.

"Foi uma ideia nossa. Vimos que na Europa estavam analisando 21 mil pessoas por semana (para descobrir quantas usavam máscaras). Certamente, com a tecnologia é possível fazer melhor", defendeu.

Até o momento, nenhuma autoridade do governo contatou a empresa para aplicar o software em uma escala maior, mas Descoins enfatizou que está aberto para ouvir propostas e analisar o que pode ser feito "para ajudar durante a crise pelo lado da tecnologia".

"Estamos procurando maneiras de continuar com isso. Não possuímos as câmeras, por isso não é tão simples. Mas estamos pensando no que podemos conseguir e melhorando o sistema para que seja algo que possa ser dimensionado e funcione mais rapidamente", explicou.