Inteligência Artificial se torna invencível em jogo de tabuleiro
AlphaGo Zero aprendeu sozinho a jogar game extremamente complexo
Tecnologia e Ciência|Filipe Siqueira, do R7

Se todos ficaram impressionados com a vitória do DeepBlue sobre o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, em 1997, é bom saber que um evento muitíssimo mais importante acaba de acontecer. Se a vitória do supercomputador da IBM foi cercada de polêmica e ocorreu após uma série de derrotas, a inteligência artificial AlphaGo Zero, do Google, conseguiu ir muito além.
Em março de 2016, o AlphaGo venceu o campeão internacional do jogo de tabuleiro Go, o sul coreano Lee Sedol. Foram quatro vitórias para a máquina e uma para o humano. O Go, jogo tradicional do leste da Ásia, é extremamente complexo: ele permite tantos resultados possíveis quanto o número de átomos no Universo, o que complica a vida de computadores que precisam calcular bilhões de possibilidades e movimentos.
Se a AlphaGo já poderia ser considerada o maior jogador de Go do mundo, um artigo na revista Nature demonstra que o Google acaba de lançar um sucessor, chamado AlphaGo Zero, que é imbatível jogando contra seu antecessor. Os pesquisadores colocaram as duas inteligências para jogar 100 vezes e a Zero se manteve invicto.
OK, ela é mais bem programada, alguém pode pensar. Mas não é bem isso. A Zero aprendeu a jogar sozinha, sem interferência humana. Segundo o artigo, publicado na última quarta-feira (18), a inteligência só foi ensinada sobre o que fazer com as peças no tabuleiro e em três dias jogou contra si própria 4,9 milhões de vezes até estar pronta para ser imbatível.
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Esse é um grande avanço no campo da inteligência artificial, uma vez que a antecessora AlphaGo recebeu milhares de anos de jogadas de humanos e estratégias conhecidas — e precisou jogar 30 milhões de vezes até estar pronta. A sucessora, por sua vez, demonstrou ter criado estratégias inteiramente novas, nunca usadas anteriormente. Além disso, a Zero precisa de apenas quatro TPUs (Tensor Processing Unit, um processador específico para aprendizado de máquina) para funcionar, contra os 48 do AlphaGo original.
— Ao não usarmos a experiência humana de qualquer forma, acabamos removendo as limitações do conhecimento humano — afirmou o principal programador do AlphaGo Zero, David Silver, em uma conferência de imprensa.
Guardadas as proporções e levando em conta que tudo aconteceu em um ambiente de regras claras (um jogo de tabuleiro), esse avanço talvez aponte para um futuro não tão distante onde humanos conversarão com máquinas normalmente, e daí pra frente é difícil fazer previsões.
Segundo o próprio artigo, o grande salto do empreendimento não foi o fato do AlphaGo Zero ter se tornado imbatível, e sim que ele não foi alimentado com dados humanos: a inteligência simplesmente conseguiu aprender tudo sozinha.
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