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Jararacas ‘ficaram mais calmas’ por falta de predadores, revela pesquisa do Butantan

Estudo mostra que cobras venenosas evoluíram para comportamento mais tranquilo

Tecnologia e Ciência|Do R7

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Sem concorrentes, jararaca tem se tornado mais tranquila. Otavio Marques

Uma pesquisa recente do Instituto Butantan, publicada na revista Amphibia-Reptilia, revelou que as jararacas das ilhas Queimada Grande e dos Alcatrazes, no litoral paulista desenvolveram comportamentos muito mais tranquilos que suas primas do continente tudo porque quase não têm predadores por perto.

“Enquanto 20% das jararacas continentais reagem com bote, mais de 90% das insulares simplesmente fogem ou ficam paradas”, explica a pesquisadora Karina Banci, autora do estudo.


Um paraíso (quase) sem ameaças

Na Ilha da Queimada Grande — famosa por abrigar a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) — os ataques de predadores praticamente não existem: só 1% de taxa de predação.

Já nas ilhas dos Alcatrazes, a situação é um pouco diferente: 8% das cobras são atacadas, principalmente por um lagartão ousado o teiú que parece ter “assumido o papel” do gambá, o principal inimigo das jararacas no continente.


Quando o gambá sai de cena, entra o lagarto

No continente, estudos anteriores mostraram que 12% das jararacas comuns viram alvo de aves e gambás. Mas nas ilhas, onde não há mamíferos, o teiú virou o grande vilão das serpentes.

“É curioso: ele ocupa o mesmo nicho do gambá e responde por metade dos ataques às jararacas de Alcatrazes”, comenta o pesquisador Otavio Marques, também do Butantan.


Experimento de massinha (sim, massinha!)

Pra entender essa história toda, os cientistas foram criativos: fabricaram centenas de cobras de massinha, imitando o tamanho e as cores das verdadeiras.

Depois, espalharam as “jararacas fake” pelas trilhas das ilhas e esperaram dois dias para ver o que acontecia.


Experimento realizado com massinha simulando a serpente. Karina Banci

As marcas de dentes, garras e bicos nas massinhas mostraram quem atacava e com que frequência.

“Ver um ataque real é raríssimo, então as réplicas ajudam muito a medir o risco de predação”, explica Karina.

Cobras mais calmas e inteligentes

Com menos riscos, as jararacas-ilhoas não precisam gastar energia reagindo a tudo.

Elas fogem, se camuflam e evitam confronto — uma estratégia que pode ser uma resposta evolutiva à tranquilidade das ilhas.

A jararaca-ilhoa é uma das cobras mais raras do mundo e só existe na Ilha da Queimada Grande um paraíso isolado onde o número de humanos é zero e o de serpentes é altíssimo

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