Tecnologia e Ciência Marte: chip usado em robô da Nasa é menos avançado que um celular

Marte: chip usado em robô da Nasa é menos avançado que um celular

Processador PowerPC 750 é o mesmo utilizado nos computadores iMac, da Apple, do final da década de 1990

Rover Perseverance pousou na superfície de Marte em 18 de fevereiro

Rover Perseverance pousou na superfície de Marte em 18 de fevereiro

Emma Howells/NASA/EFE - 17.02.2021

O rover Perseverance, da Nasa, a agência espacial norte-americana, que pousou na superfície de Marte em 18 de fevereiro, funciona a partir do PowerPC 750, um processador com apenas 10,4 milhões de transistores — quantidade mil vezes inferior a alguns smartphones modernos —, utilizado nos computadores iMac, da Apple, do final da década de 1990. É o que revelou na última sexta-feira (26) o portal americano New Scientist.

Segundo o portal, apesar de a agência espacial poder arcar com o custo de chips de alto desempenho, como o CPU Core i9-10900K, da Intel, um processador tão avançado acarretaria em prejuízo, dadas as condições únicas de operação no planeta vermelho.

Isso porque a atmosfera marciana oferece muito menos proteção contra a radiação nociva e partículas carregadas do que a atmosfera da Terra. Uma forte explosão de radiação pode destruir seriamente os eletrônicos sensíveis de um chip moderno — e quanto mais complexo o processador, maior a chance de isso acontecer.

Para tornar o sistema mais durável, o processador PowerPC 750 é ligeiramente diferente dos chips dos antigos iMacs. Trata-se de um RAD750, uma variante espacial reforçada contra a radiação que custa mais de U$ 200.000 (R$ 1.153.420). O processador alimenta ainda o rover Curiosity, o Telescópio Espacial Fermi e as sondas Reconnaissance Orbiter e Deep Impact, todos instrumentos espaciais da Nasa.

Embora o chip possa ser fraco em comparação com um smartphone da atualidade, a Nasa observa que o Perseverance é muito mais poderoso do que rovers anteriores, como o Spirit e o Opportunity. Com uma velocidade de 200 MHz e 2GB de memória, ele é dez vezes mais rápido e tem oito vezes mais capacidade de armazenamento do que os demais.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Pablo Marques

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