Tecnologia e Ciência Nasa pode ser obrigada a adiar missão que levará mulher à Lua

Nasa pode ser obrigada a adiar missão que levará mulher à Lua

Cientistas britânicos concluíram que a metade desta década coincidirá com os chamados eventos espaciais climáticos extremos

Viagem à Lua estava marcada para 2024, mas especialistas veem a meta como irrealista

Viagem à Lua estava marcada para 2024, mas especialistas veem a meta como irrealista

Nasa

A Nasa, a agência espacial norte-americana, pode ter que adiar a última missão do Programa Artemis, que visa enviar a primeira mulher e mais um homem à superfície da Lua, para evitar que a viagem coincida com os chamados eventos espaciais climáticos extremos. É o que apontam pesquisadores da Universidade Reading, na Inglaterra, em um estudo publicado na revista científica Solar Physics.

A princípio, a ida dos tripulantes ao satélite natural da Terra estava marcada para 2024, mas com a queda do financiamento da Nasa, especialistas agora veem a meta como irrealista. Em dezembro do ano passado, o orçamento da agência espacial para 2021 foi aprovado no valor de US$ 23,3 bilhões (aproximadamente R$ 123 bilhões), 2 bilhões a menos do que o solicitado.

O estudo mostra que as atividades magnéticas no Sol devem se intensificar entre 2026 e 2030, causando maiores riscos a qualquer tipo de missão espacial. Como é pouco provável que seja possível fazer o lançamento antes do previsto, qualquer atraso pode prejudicar o lançamento.

Para chegar à conclusão do estudo, os cientistas analisaram dados dos últimos 150 anos, incluindo tempestades solares e eventos, dentro de cada "ciclo solar" — um padrão regular de aumento e diminuição na atividade do Sol —, que tem duração de 11 anos. Durante esse período, todo o campo magnético da estrela é alterado e os pólos norte e sul se invertem.

Essa atividade consiste em grandes erupções de plasma que acontecem na superfície do Sol, chamadas ejeções de massa coronal. Quando isso acontece, ondas de choque compostas por partículas ionizadas são enviadas por todo o sistema solar. As tempestades geomagnéticas causadas podem atingir astronautas e satélites e danificar até mesmo redes elétricas inteiras na superfície terrestre.

A partir dessa análise, os pesquisadores descobriram que eventos climáticos espaciais extremos têm maior probabilidade de ocorrer no início dos ciclos solares pares e mais tarde nos ciclos ímpares. Atualmente, o Sol se encontra em seu 25º ciclo, que começou em dezembro de 2019 e vai até 2030, o que torna os últimos anos do ciclo mais complicados para a realização de missões prolongadas no espaço

"Isso também sugere que quaisquer missões espaciais significativas nos próximos anos — incluindo o retorno de astronautas à Lua e, mais tarde, a Marte — terão menos probabilidade de encontrar eventos espaciais extremos durante a primeira metade do ciclo solar [que se extende até meados de 2026]", afirmou Matthew Owens, físico espacial e co-autor do estudo.

"Anteriormente, acreditava-se que os eventos climáticos eram aleatórios. A pesquisa sugere, no entanto, que eles são mais previsíveis, geralmente seguindo as mesmas 'estações' de atividade dos eventos espaciais menores", completa.

A descoberta poderá ajudar os cientistas a evitar os efeitos prejudiciais do clima espacial e fazer previsões para a próxima década do atual ciclo solar que está apenas no início. A partir dela, será possível planejar o tempo de atividades que poderiam ser afetadas por clima espacial extremo, como manutenção da rede elétrica na Terra, operações de satélite ou grandes missões espaciais.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Fábio Fleury

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